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Estudo do MIT aponta que dano à camada de ozônio era detectável desde 1957

Pesquisa indica que tecnologia de monitoramento atual teria flagrado os primeiros sinais de destruição causada pelo ser humano quase três décadas antes da descoberta oficial do buraco na Antártica.

Por Diário Local

Um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) sugere que os primeiros sinais do dano à camada de ozônio causado pela ação humana poderiam ter sido detectados já em 1957, caso existisse a tecnologia de monitoramento disponível nos dias atuais. A pesquisa foi publicada em 12 de maio deste ano na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

O buraco na camada de ozônio sobre a Antártica foi oficialmente descoberto em 1985, marcando um ponto importante na história ambiental. Contudo, o novo levantamento indica que os sinais de destruição atmosférica teriam começado a aparecer muito antes, ainda no final dos anos 1950.

A equipe de pesquisa, liderada pela química atmosférica Susan Solomon, utilizou 16 simulações climáticas para reconstituir o passado. Os modelos permitiram comparar as variações naturais da atmosfera com os efeitos provocados pela emissão de substâncias produzidas pelo ser humano, buscando identificar quando a influência humana teria se tornado forte o suficiente para ser percebida em meio às mudanças naturais do clima.

Onde o sinal seria mais visível

Os resultados indicam que o primeiro sinal detectável teria aparecido na alta estratosfera sobre os trópicos. Essa região foi identificada como o local mais propício para identificar alterações provocadas por atividades humanas, pois apresenta oscilações naturais menores em comparação com outras áreas do planeta.

De acordo com os pesquisadores, o padrão detectável nessa região funcionaria como um indicador mais claro da interferência humana na atmosfera, já que as flutuações naturais não mascararia as mudanças causadas pela ação do ser humano.

O papel do tetracloreto de carbono

O estudo aponta que o primeiro sinal de perda de ozônio provavelmente estava relacionado ao tetracloreto de carbono, um composto utilizado desde 1930 como solvente industrial e em processos de limpeza a seco. Segundo os pesquisadores, a concentração da substância já aumentava na atmosfera em meados da década de 1940.

Quando o tetracloreto de carbono chega à atmosfera, libera átomos de cloro, capazes de destruir moléculas de ozônio. Os autores ressaltam, porém, que essa descoberta não muda o papel dos clorofluorcarbonetos (CFCs) na formação do buraco sobre a Antártica. Os CFCs continuam sendo reconhecidos como os principais responsáveis pelo fenômeno identificado em 1985.

Importância do monitoramento contínuo

Para os pesquisadores, o trabalho demonstra que a influência humana sobre a camada de ozônio provavelmente começou a ser perceptível muito antes do que se imaginava, mas passou despercebida por limitações tecnológicas da época. A conclusão também reforça a importância do monitoramento contínuo da atmosfera.

Detectar alterações precocemente permite compreender melhor os impactos das atividades humanas e acompanhar a recuperação da camada de ozônio, segundo os pesquisadores do MIT.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.