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São Paulo

Aldeias Guarani em SP enfrentam falta de água e luz há 15 anos, aponta MPF

Sete comunidades da Terra Indígena Jaraguá enfrentam dificuldades com abastecimento e segurança, segundo o Ministério Público Federal.

Por Redação Diário Local

Sete aldeias de etnia Guarani Mbya, na Terra Indígena Jaraguá, em São Paulo, aguardam há pelo menos 15 anos pelo acesso regular ao fornecimento de água potável e energia elétrica, conforme informou o Ministério Público Federal (MPF). A falta de serviços básicos gera situações de improviso e insegurança para os moradores do território.

A carência de energia elétrica dificulta a vigilância das comunidades durante a noite, dificultando a identificação de veículos e pessoas estranhas que se aproximam das aldeias. Já o abastecimento de água depende de captações instáveis em nascentes, que enfrentam riscos devido ao desmatamento e à expansão de empreendimentos imobiliários no entorno.

Como buscam solucionar o problema?

A Procuradoria Regional da República da 3ª Região tem conduzido reuniões com lideranças indígenas, gestores públicos e as concessionárias Sabesp e Enel para discutir o saneamento e a eletricidade no território. O objetivo é estabelecer etapas para que o atendimento regular seja implementado.

O MPF projeta a adoção de sistemas híbridos para suprir as necessidades das comunidades. A proposta envolve a associação da rede das concessionárias com alternativas como energia solar, sistemas de biodigestores e o uso de poços artesianos profundos para o abastecimento de água.

Em encontro realizado nesta quarta-feira (7), na aldeia Tekoa Itakupé, as lideranças reforçaram que o acesso irregular aos serviços básicos de saneamento e energia já persiste por cerca de duas décadas e meia em alguns pontos do território.

Desafios no território indígena

Além da infraestrutura básica, as comunidades enfrentam dificuldades com a ausência de unidades de saúde e salas de aula, o que exige deslocamentos frequentes. Problemas com moradias e estradas de difícil acesso também foram relatados por lideranças locais.

Para tentar suprir a falta de luz, algumas aldeias utilizam ligações clandestinas que apresentam quedas constantes. Nesta segunda-feira (19), por exemplo, a aldeia Itakupé registrou falta de energia. A captação de água, feita de forma improvisada em pontos próximos ao Pico do Jaraguá, tem se mostrado insuficiente para atender cerca de 800 indígenas das sete aldeias.

Posicionamento das concessionárias

A Enel informou que as aldeias Tekoa Itu, Tekoa Piau e Tekoa Itawera já possuem conexão à rede elétrica nas vias públicas, com serviços de inclusão como a Tarifa Social sendo oferecidos. Sobre a aldeia Tekoa Itakupé, a empresa afirmou que a rede elétrica chega até a entrada do território e a previsão de conclusão da extensão da rede é até o fim deste ano.

Na aldeia Tekoa Yvy Porã, a concessionária declarou que está alinhando definições técnicas para a instalação de medidores de energia. A Sabesp, por sua vez, afirmou ter realizado visitas técnicas nas aldeias Itakupé e Ivy Porã para ouvir as demandas dos moradores e avaliar a realidade local.

A companhia informou que o próximo passo exige o aprofundamento de estudos e avaliações técnicas pelos órgãos envolvidos, respeitando a participação e a validação das comunidades para qualquer intervenção futura.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.