Chuvas intensas podem atingir cinco estados com acumulados de até 300 mm no Centro-Sul
Previsão indica acumulados excessivos em estados como Rio Grande do Sul e São Paulo sob influência do El Niño nos próximos dez dias.
Por Redação Diário Local
Áreas do Centro-Sul do Brasil devem registrar chuvas intensas e acumulados que podem chegar a 300 mm nos próximos dez dias. A previsão indica que ao menos cinco estados podem enfrentar eventos extremos com precipitações entre 150 mm e 300 mm durante o período.
Os principais estados afetados pela instabilidade são Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, de acordo com a MetSul Meteorologia. No Rio Grande do Sul, a previsão aponta para muitos dias de chuva, especialmente na região norte do estado.
O Paraná e Santa Catarina também devem ter períodos prolongados de chuva. No estado de São Paulo, o alerta de atenção recai sobre as regiões metropolitanas e o Vale do Ribeira, área de preservação ambiental que já registrou enchentes neste mês e pode enfrentar novas situações de risco.
Além do Centro-Sul, pancadas de chuva podem atingir estados da região Norte, mesmo em áreas que apresentam tempo seco durante a primavera. Entre os estados com previsão de precipitação estão Tocantins, Amazonas, Acre e Rondônia.
Por que as chuvas devem aumentar no Centro-Sul?
A recorrência desses eventos extremos está relacionada à influência do fenômeno El Niño. O aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico altera a circulação dos ventos e a distribuição da umidade no território brasileiro, concentrando o canal de umidade na região do Centro-Sul.
Estael Sias, mestre em Meteorologia na Universidade de São Paulo (USP), explica que o cenário é composto pela sucessão de frentes frias, áreas de baixa pressão e ciclones. Segundo a especialista, haverá períodos de trégua, mas a instabilidade deve persistir ao longo dos próximos dez dias.
O processo ocorre porque os ventos alísios empurram o ar quente e úmido da Amazônia em direção ao Sul do país. Quando essa massa de ar quente encontra frentes frias estabilizadas, a massa de ar frio, que é mais densa, desliza para baixo e empurra a umidade quente para cima.
Ao subir na atmosfera, a massa de ar quente resfria e se condensa em líquido, sobrecarregando as nuvens com chuva. Esse bloqueio atmosférico tem se estendido do Sul para partes do Sudeste e uma pequena porção do Centro-Oeste, o que explica o volume de chuvas registrado no mês de setembro.
