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Coronel acusado de matar PM Gisele tem interrogatório adiado para agosto

Defesa do tenente-coronel solicitou complementação de laudo pericial antes do depoimento, marcado agora para 28 de agosto no Fórum Criminal da Barra Funda.

Por Diário Local

O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, com um disparo na cabeça, teve o interrogatório adiado pela Justiça. O depoimento, que estava previsto para esta sexta-feira (3 de julho), foi remarcado para 28 de agosto no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.

O adiamento ocorreu porque os advogados de Rosa Neto solicitaram que o Instituto de Criminalística completasse um dos laudos periciais antes que o réu fosse interrogado. O pedido foi apresentado durante a audiência desta quinta-feira (2 de julho), após questionamentos feitos à perita responsável pela análise técnica do caso.

O juiz aceitou o requerimento e determinou que o interrogatório ocorra somente após a conclusão dessa etapa complementar. Com a mudança, encerrou-se a fase de oitiva das testemunhas na 5ª Vara do Júri da Capital.

Ao longo da semana foram ouvidas 30 pessoas, entre testemunhas de acusação e de defesa. Rosa Neto está preso preventivamente desde 18 de março, no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.

O que a defesa pretende

Os advogados do tenente-coronel identificaram pontos técnicos que precisam ser esclarecidos pela perícia antes do depoimento. De acordo com a defesa, o objetivo é obter respostas complementares para subsidiar o interrogatório do militar.

O defensor afirmou ainda que pretende pedir a revogação da prisão preventiva do tenente-coronel. Segundo a defesa, os depoimentos colhidos até o momento não comprovariam a acusação de feminicídio.

Os crimes investigados

Geraldo Leite Rosa Neto responde pelos crimes de feminicídio e fraude processual pela morte da esposa. Ele sustenta que Gisele morreu por suicídio, versão contestada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil durante a investigação.

A policial militar Gisele Alves Santana foi encontrada gravemente ferida no apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo, na manhã de 18 de fevereiro. Ela foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada por helicóptero Águia da Polícia Militar ao Hospital das Clínicas.

Gisele morreu horas depois em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme registrado no atestado de óbito. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado.

Porém, com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não correspondia à hipótese de suicídio. A morte passou então a ser investigada como feminicídio.

Prisão do tenente-coronel

A Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão preventiva de Rosa Neto em 17 de março, um mês após a morte da esposa. O pedido sucedeu à conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte de Gisele.

A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel em 17 de março. Ele foi preso no dia seguinte em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale da Paraíba.

Ao chegar ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, na tarde de 18 de março, o tenente-coronel foi recebido com abraços por colegas de farda.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.