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Religião

Cristianismo resiste à secularização na Europa e explica mudanças religiosas no Brasil, diz especialista

Segundo Wellington Teodoro da Silva, o cristianismo persiste na Europa e o Brasil vive um movimento de urbanização e novas formas de fé.

Por Redação Diário Local

O cristianismo persiste na Europa, apesar do contexto de secularização e modernidade do continente, afirma o doutor em Ciência da Religião Wellington Teodoro da Silva. Mesmo com o avanço de modelos que organizam a economia e o poder político fora da teologia cristã, a religião mantém um contingente relevante na região.

Para o professor da PUC Minas, a ideia de que a modernidade levaria inevitavelmente ao desaparecimento das religiões, conceito que ecoou em declarações de figuras como John Lennon, não se concretizou plenamente. Na Europa, que é vista como o epicentro da modernidade, a persistência do cristianismo revela uma dinâmica mais complexa do que o declínio absoluto previsto anteriormente.

Por que o Brasil mudou o perfil religioso?

No Brasil, o cenário é de movimentação própria de uma sociedade que passa por processos de urbanização e secularização. De acordo com Wellington Teodoro da Silva, a queda do catolicismo e o crescimento de outros grupos estão ligados à forma como a religião se organiza no espaço urbano.

O especialista explica que o catolicismo brasileiro, historicamente vinculado ao ambiente rural, encontrou dificuldades de adaptação ao mundo das cidades. Em contrapartida, o pentecostalismo possui um caráter predominantemente urbano desde o seu nascimento, o que explica sua expansão.

O aumento de pessoas que se declaram sem religião também é um fenômeno observado. Segundo o professor, isso não significa necessariamente a ausência de fé, mas pode indicar que muitos indivíduos não se sentem confortáveis com as instituições religiosas tradicionais e suas formas de organização da vida.

A relação entre espiritualidade e cultura pop

A análise também passa pela forma como a cultura pop interage com o sagrado. Segundo o doutor em Ciência da Religião, o ser humano tem uma tendência natural de buscar sentidos transcendentais, o que permite que a devoção seja direcionada a diferentes esferas, incluindo ídolos da cultura popular.

Nesse sentido, a relação de veneração com artistas e influenciadores pode assumir contornos de espiritualidade. O fenômeno do ídolo, portanto, não é apenas um termo figurado, mas pode refletir uma forma de conexão que remete ao culto.

No contexto brasileiro, o tema da religião também exerce peso no debate político. O uso de acusações de ateísmo ou a alegação de perseguição religiosa são estratégias utilizadas para desqualificar adversários em disputas de poder, o que torna o debate sobre fé um campo de grande sensibilidade no país.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.