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Justiça

Disputa entre herdeiros de Jorge Mitre envolve acusações de falsificação e extorsão

Conflito familiar envolve acusações de falsificação de assinaturas e extorsão no espólio do médico e empresário.

Por Redação Diário Local

O espólio do médico e empresário Jorge Mitre tornou-se o foco de uma disputa judicial entre seus herdeiros. O confronto familiar envolve acusações de falsificação de assinaturas, extorsão e dilapidação de patrimônio entre membros da família.

A disputa opõe os irmãos Júlio e Juliana contra a mãe, Maria Elisa, e o irmão mais velho, Fabrício, executivo da Mitre Realty. Entre os pontos centrais da briga estão documentos relacionados à empresa Elisa Agro, que utilizou assinaturas questionadas para emitir um título de renda fixa de R$ 293 milhões em maio de 2022.

O questionamento das assinaturas

Júlio e Juliana recorreram à Justiça para contestar assinaturas atribuídas a Jorge Mitre em documentos da Elisa Agro. Segundo os irmãos, o caso teria ocorrido em abril e maio de 2022, período em que o patriarca enfrentava um câncer e estava vulnerável antes de falecer, em 17 de junho daquele ano.

Um laudo do Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo apontou que uma das assinaturas em um "Memorando de Entendimento" (MOU) apresentava divergências gráficas e era falsa. No entanto, o próprio Fabrício solicitou a perícia e, após o resultado, apresentou outros laudos que defendiam a autenticidade do documento.

As outras assinaturas questionadas eram digitais. Os argumentos dos irmãos incluíam a divergência entre o local de validação dos papéis, em São Paulo, e onde Jorge se encontrava na época, em Trancoso, na Bahia.

Arquivamento pelo Ministério Público

Apesar das acusações, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) arquivou o caso ao menos duas vezes. Em setembro de 2025, o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, confirmou a decisão.

Na avaliação do MPSP, não foram encontrados elementos seguros para apontar a ocorrência de crime ou fraude, classificando o episódio como uma disputa familiar pela divisão de bens. A promotoria destacou que Maria Elisa possuía procuração com amplos poderes dada pelo marido e que Jorge tinha consciência dos atos praticados.

Sobre a assinatura falsificada, o órgão afirmou que, embora a falsidade tenha sido verificada em um documento, não foi possível identificar a autoria de quem realizou a falsificação.

Desdobramentos e medidas cautelares

A disputa jurídica se agravou com novos incidentes. Em fevereiro de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou a exclusão da médica Juliana da sociedade de duas empresas do Grupo HOSP, após considerar que suas atitudes traziam riscos às companhias.

Em agosto de 2026, uma medida cautelar proibiu que Juliana se aproximasse de Fabrício, estabelecendo uma distância mínima de 200 metros. A decisão ocorreu após acusações de perseguição e envio de mensagens ofensivas. No mesmo mês, a Polícia Civil indiciou Juliana por extorsão contra o irmão.

Em setembro de 2026, uma nova investigação da Polícia Civil indiciou Juliana por apropriação indevida e dilapidação de patrimônio, após denúncia de Júlio sobre repasses de R$ 700 mil para a conta da médica em junho de 2022. A investigação não encontrou elementos para acusar Maria Elisa, Fabrício ou um advogado envolvido no caso.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.