Empresário investigado por lavar dinheiro para facção é preso em shopping de luxo em São Paulo
Rodrigo Leonardo de Lima Alcântara, o 'Rei da Sucata', era alvo da polícia e é investigado por integrar esquema financeiro do Comando Vermelho.
Por Redação Diário Local
O empresário Rodrigo Leonardo de Lima Alcântara, conhecido como "Rei da Sucata", foi preso neste sábado (7) em uma joalheria de luxo em um shopping de São Paulo. Ele é investigado por suspeita de integrar uma estrutura empresarial utilizada para lavar dinheiro do tráfico de drogas do Comando Vermelho.
Foragido desde maio, Alcântara foi localizado enquanto realizava compras. A captura ocorreu em uma ação conjunta entre a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), o GSI do Ministério Público de Minas Gerais e o Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Após a prisão, o empresário foi encaminhado ao Palácio da Polícia, na capital paulista.
Transferências milionárias para o tráfico
As investigações apontam que uma empresa administrada por Rodrigo, a Indústria e Comércio de Metais Pequi, transferiu R$ 4,6 milhões para Alex Sandro Ferreira de Araújo, conhecido como "Tek". Ele é identificado pelos investigadores como operador financeiro ligado a Antônio Ilário Ferreira, apontado como chefe do tráfico no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo.
De acordo com a Polícia Civil, entre abril de 2023 e maio de 2024, a Metais Pequi transferiu R$ 3,7 milhões para uma conta de Tek em 27 operações. Outros R$ 898,8 mil foram repassados no período entre maio e setembro de 2024.
A DRE informou ainda que identificou movimentações entre a Metais Pequi e outras empresas como Ebrafios, Jornal Corporativo e L E Reciclagem, que somam aproximadamente R$ 1,6 milhão em repasses.
Estrutura e monitoramento
Segundo a polícia, Rodrigo administrava a Indústria e Comércio de Metais Pequi, empresa de fundição de metais. Embora seu pai, Carlos Roberto de Alcântara — preso em maio —, constasse formalmente como o administrador, a investigação indica que o filho exercia a gestão real para ocultar o controle do negócio.
A conexão com o crime foi identificada por meio de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Os investigadores sustentam que o esquema utilizava empresas de reciclagem, sucatas e metais, além de depósitos fracionados para movimentar os recursos.
O empresário estava com nome em um alerta vermelho da Interpol. Ele havia deixado o Brasil e ficado nos Estados Unidos, mas a polícia identificou que ele retornou ao país no início de outubro, sem registro regular de entrada.
