Filha de PM morta no Brás depõe contra coronel acusado de feminicídio
A menina de 7 anos prestará depoimento em procedimento especial durante julgamento do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a mãe com disparo de arma de fogo.
Por Diário Local
A filha de 7 anos da PM Gisele Alves Santana prestará depoimento nesta quarta-feira (1º de julho) durante o julgamento do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de feminicídio pela morte da mãe. A menina será ouvida em procedimento especial reservado para crianças vítimas ou testemunhas de violência, com acompanhamento de psicólogo ou assistente social.
Gisele foi encontrada com ferimento de bala na cabeça no apartamento onde morava com o coronel no Brás, região central de São Paulo, em 18 de fevereiro. Ela foi socorrida e levada ao Hospital das Clínicas, onde morreu por traumatismo cranioencefálico. Inicialmente o caso foi tratado como suicídio, mas análises periciais posteriores apontaram dinâmica inconsistente com essa hipótese, levando à acusação do tenente-coronel, que nega o crime.
O depoimento da criança ocorre no mesmo dia em que serão ouvidos outros familiares de Gisele, como os pais, o irmão e o ex-marido da vítima, que é o pai biológico da menina.
Vivência de conflitos no lar
A menina morava com Gisele e o coronel no apartamento do Brás e relatava ao pai biológico brigas constantes e intensas entre o casal desde que passou a conviver com o tenente-coronel. Na véspera da morte de Gisele, em 17 de fevereiro, o pai buscou a filha e ela entrou no carro chorando, afirmando que não queria voltar para o apartamento porque não aguentava mais os conflitos.
Amigas da PM também observaram sinais de abalo psicológico na criança, como perda de peso e episódios de enurese noturna após o início da convivência com o oficial.
Procedimento especial para menores
O depoimento seguirá o protocolo previsto para crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência. O interrogatório acontece em ambiente reservado, com um psicólogo ou assistente social responsável por conduzir as perguntas. A sessão é gravada, mas o juiz e demais participantes acompanham de outra sala, procedimento que visa preservar a intimidade da menor e evitar revitimização.
O julgamento encerra a fase de instrução com previsão de durar até sexta-feira (3 de julho), quando ocorrerá o interrogatório do tenente-coronel. A Polícia Civil solicitou a prisão preventiva dele em 17 de março, após conclusões periciais apontarem-no como principal suspeito. A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão em 17 de março, e ele foi preso no dia seguinte em um condomínio em São José dos Campos.
