Polícia Civil identifica grupo que aplicava golpe do vale-gás contra idosos no Espírito Santo
Investigação aponta que criminosos usavam reconhecimento facial de idosos para contratar empréstimos e sacar benefícios
Por Redação Diário Local
A Polícia Civil identificou dez integrantes de uma organização criminosa especializada em aplicar o golpe do falso vale-gás contra idosos no Espírito Santo. Segundo as investigações concluídas nesta terça-feira (29), os criminosos utilizavam a promessa de cadastros em programas sociais para obter dados pessoais e realizar o reconhecimento facial das vítimas.
Com as informações coletadas, o grupo abria contas bancárias, realizava a portabilidade de salários, contratava empréstimos e sacava valores das vítimas. Somente em 2025, foram registrados 58 boletins de ocorrência relacionados a essa modalidade de fraude no estado, com um prejuízo estimado em R$ 2 milhões.
As investigações apontam que os suspeitos, que têm entre 20 e 35 anos, são naturais do Rio de Janeiro. O grupo mantinha um escritório no Complexo do Alemão, na Zona Norte da capital fluminense, mas também estendia as atividades para Minas Gerais e Alagoas.
Além do falso vale-gás, os investigados utilizavam o pretexto de oferecer outros benefícios para abordar os idosos, como o programa Farmácia Cidadã e a distribuição de cestas básicas. A abordagem visava monitorar a rotina das vítimas para identificar em quais horários elas ficavam sozinhas em suas residências.
Uma vez na casa das vítimas, os criminosos simulavam um procedimento de cadastro para o recebimento de benefícios mensais. O delegado Gabriel Monteiro, chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), explicou que o objetivo era o reconhecimento facial e a coleta de dados para antecipar o 13º salário e realizar empréstimos.
Mensagens interceptadas nas redes sociais revelaram que o grupo utilizava uma linguagem empresarial para mascarar as atividades ilícitas. Segundo a polícia, as vítimas eram chamadas de "clientes", as reuniões ocorriam em um "escritório" e cada golpe era tratado como a assinatura de um "contrato".
A organização criminosa foi indiciada por sete crimes de estelionato contra quatro vítimas e por organização criminosa. Dos dez investigados, quatro são apontados pela polícia como integrantes da alta cúpula do grupo, o que pode gerar agravantes nas penas caso sejam condenados.
Até o momento, duas pessoas estão presas: Joyce Máximo da Silva, de 34 anos, e Rafael de Jesus Guarany de Oliveira, de 32 anos. Outros oito integrantes foram indiciados pela Polícia Civil, entre eles Bárbara Pena Corrêa, Antonio Cesar Sousa Ferreira, Daniel André Miranda Paz de Oliveira e Walter Martins de Souza Neto.
Como funcionava o esquema de fraude?
O golpe começava com o contato inicial informando que o idoso teria direito a um benefício social. Após o contato, um integrante do grupo era enviado à residência da vítima para realizar um suposto cadastro, momento em que ocorria a coleta de dados biométricos e o reconhecimento facial sem o consentimento consciente para fins criminosos.
As investigações também mostraram que os criminosos demonstravam preocupação com o montante de renda das vítimas e chegavam a monitorar o uso de câmeras de segurança para planejar as ações. O foco era garantir o saque tanto dos benefícios sociais quanto de eventuais valores depositados em conta corrente.
Como evitar o golpe do falso benefício?
O delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo, Jordano Bruno, orienta que a população desconfie de qualquer abordagem que exija informações financeiras ou procedimentos de reconhecimento facial para acesso a programas sociais. Ele reforça que serviços de assistência pública não costumam exigir contraprestação financeira ou visitas domiciliares para dados sensíveis.
A recomendação é não fornecer dados pessoais, bancários ou realizar biometria para desconhecidos que entrem em contato por números de telefone não oficiais. Em caso de dúvida, o cidadão deve procurar diretamente os canais oficiais do órgão responsável pelo benefício ou comparecer presencialmente a uma instituição bancária.
A polícia alerta que abordagens feitas por meio de ligações ou mensagens de números desconhecidos devem ser tratadas com cautela. A validação das informações por canais institucionais é o método mais seguro para evitar a perda de patrimônio e a exposição de dados sigilosos.
As autoridades reforçam que a conscientização da população é fundamental para interromper o ciclo de atuação de grupos que utilizam a engenharia social para explorar a vulnerabilidade de idosos e beneficiários de programas do governo.
