Acusado de matar Fernando Iggnácio fez voo de helicóptero para reconhecimento de rota antes do crime
Delegado afirma que réu realizou voo panorâmico para planejar trajeto de vítima três dias antes do homicídio no Recreio
Por Davy Albuquerque
O delegado Moysés Santana afirmou, durante o início do júri popular no Rio de Janeiro, que Pedro Emanuel D'onofre Andrade realizou um voo de helicóptero para reconhecimento do local três dias antes do homicídio de Fernando Iggnácio.
O depoimento ocorreu no 1º Tribunal do Júri, onde os irmãos Pedro Emanuel e Otto Samuel D'onofre Andrade respondem por homicídio triplamente qualificado. O crime aconteceu em 10 de novembro de 2020, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste da capital.
Segundo as investigações, Pedro realizou um voo panorâmico no dia 7 de novembro, utilizando a mesma rota que a vítima faria dias depois: de Ilha Grande até o Rio de Janeiro. A Polícia Civil encontrou imagens desse voo armazenadas em contas de nuvem digital do acusado.
Como funcionou o planejamento do crime?
De acordo com o Ministério Público, o voo de reconhecimento serviu para que o acusado calculasse o trajeto exato de Fernando Iggnácio. O objetivo seria prever o tempo que a vítima levaria para desembarcar do helicóptero, utilizar um carrinho de golfe da empresa Heli-Rio e chegar ao seu veículo.
Testemunhas da empresa de voos confirmaram que Pedro realizou a viagem panorâmica em dinheiro. Além disso, registros indicam que um dos envolvidos passou pelo estacionamento onde o carro da vítima já aguardava o seu retorno.
A investigação também utilizou dados de localização para conectar os réus ao evento. Segundo o Ministério Público, a antena de telefone de Otto Samuel coincidia com a localização do carro utilizado na fuga para o bairro de Campo Grande.
O que dizem as investigações sobre os réus?
A Polícia Civil detalhou que o trabalho de campo incluiu a análise de quase 45 quilômetros de deslocamento por meio de câmeras de segurança. Esse esforço permitiu identificar o momento em que os autores desembarcaram de um veículo em um condomínio em Campo Grande, logo após o crime.
Os irmãos respondem por homicídio qualificado, com acusações de motivo torpe, emprego de meio cruel e emboscada. O processo é desmembrado de outros julgamentos relacionados ao caso, como o de Rodrigo Silva das Neves, que já foi condenado pelo crime.
A investigação aponta que o homicídio foi ordenado por Rogério Andrade, que foi preso em outubro de 2024 sob a acusação de ser o mandante do assassinato de seu rival.
