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Segurança

Polícia Civil indicia médico por homicídio culposo após morte de criança picada por escorpião em Conchal

Investigação aponta que protocolo para picada de escorpião não foi seguido e houve demora na transferência do menino de 3 anos.

Por Redação Diário Local

A Polícia Civil indiciou o médico Augusto Fortunato de Godoi por homicídio culposo — quando não há intenção de matar — após a morte de Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos. A criança faleceu após ser picada por um escorpião em Conchal (SP), em março deste ano.

O inquérito policial, conduzido pelo delegado Luís Henrique Lima Pereira, aponta que o atendimento prestado ao menino não seguiu os protocolos técnicos para acidentes com escorpião, especialmente por se tratar de uma criança, grupo considerado de maior risco pela Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo.

Por que o médico foi indiciado?

Segundo a investigação, o médico não transferiu a criança imediatamente para um hospital de referência. O inquérito cita que, embora a Santa Casa de Araras fosse a unidade de referência mais próxima, outras cidades como Limeira, Piracicaba e Rio Claro possuem o soro antiescorpiônico disponível.

De acordo com o documento, o profissional optou por manter a criança em observação na unidade local, contrariando normativas técnicas do Ministério da Saúde e os protocolos do próprio hospital onde trabalhava. O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) de Campinas esclareceu que a ausência do soro na unidade inicial deve gerar a transferência imediata para um local que o possua.

A investigação também apontou demora no início dos procedimentos de transferência. A criança deu entrada no Hospital Madre Vanini às 20h08, mas o contato formal com a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) ocorreu apenas às 21h59, mais de duas horas após o acidente.

Falhas no protocolo de transferência

O delegado aponta que o atendimento foi dificultado por questões burocráticas. O médico teria condicionado a remoção do menino à disponibilização de uma vaga pelo sistema Cross, ignorando a possibilidade de solicitar a "vaga zero", que é aplicada em casos de urgência e emergência para garantir prioridade absoluta à vida.

O Instituto Médico Legal (IML) acrescentou que o profissional poderia ter acionado o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) com médico e medicamento embarcados, independentemente do trâmite do sistema de regulação, mas essa medida não foi adotada.

Além disso, o acompanhamento médico foi considerado insuficiente. O inquérito afirma que, desde o atendimento inicial até a ida para a sala de emergência, o menino foi mantido sob cuidados apenas da equipe de enfermagem, recebendo medicamentos voltados somente para o controle da dor, sem o suporte direto do médico responsável.

A defesa de Augusto Fortunato de Godoi informou que o profissional tem plena certeza de sua inocência. O pedido de interdição cautelar para que o médico não atue em serviços de urgência e emergência será analisado pelo Ministério Público e pela Justiça.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.