Macaco-prego que invadiu casas em Salvador morre após ser capturado pela polícia ambiental
Animal foi levado ao centro de triagem após invadir residência e morder três pessoas, segundo o Inema.
Por Redação Diário Local
O macaco-prego-preto Alcebíades morreu na última segunda-feira (5) em Salvador, na Bahia, após ser capturado por agentes da Companhia de Polícia de Proteção Ambiental em um condomínio residencial. O animal foi encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), mas não resistiu aos procedimentos de atendimento veterinário.
Segundo o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), órgão que faz a gestão do Cetas em Salvador, o óbito foi registrado às 18h42 do dia nesta segunda-feira (5). O animal deu entrada na unidade de triagem em estado debilitado, desacordado e com resposta reduzida a estímulos.
De acordo com o boletim emitido pelo instituto, o macaco apresentava comportamento agressivo durante a tentativa de contenção e chegou a morder três pessoas. No momento da ocorrência, o animal estava em uma área urbana e invadiu uma residência.
A equipe responsável pela captura relatou que o macaco colidiu contra um box de vidro dentro de um imóvel e foi localizado posteriormente sobre um telhado, próximo a placas solares. A partir de então, o animal foi contido e levado para a unidade de saúde.
Na avaliação clínica realizada após a chegada ao Cetas, os veterinários identificaram lesões traumáticas na face e na língua do animal. Além disso, o macaco apresentava uma temperatura corporal de 42 °C e frequência cardíaca superior a 170 batimentos por minuto.
O quadro clínico também incluiu salivação intensa, vocalizações e movimentos involuntários dos membros. Diante desses sinais e do histórico da ocorrência, a equipe técnica considerou a possibilidade de exposição a algum agente tóxico.
O Inema informou que havia relatos de que o macaco poderia ter tido acesso a bebidas alcoólicas e medicamentos encontrados no imóvel invadido. No entanto, o instituto ressaltou que não foi possível confirmar a ingestão de substâncias, a natureza delas ou a quantidade exposta.
O órgão destacou que, embora os sinais apontem para uma possível intoxicação, os sintomas são inespecíficos e não permitem uma confirmação imediata da causa da morte. Para esclarecer o caso, o animal será submetido a um exame necroscópico.
O procedimento de necropsia buscará avaliar possíveis lesões traumáticas e outras alterações biológicas. Caso haja indicação técnica, exames complementares poderão ser realizados para investigar especificamente uma eventual exposição a substâncias tóxicas.
O que diz o tutor sobre o caso?
O tutor do animal, o ex-deputado estadual Marcell Moraes, utilizou as redes sociais para cobrar esclarecimentos sobre o ocorrido. Moraes afirmou que o macaco estava saudável antes de ser levado pela polícia para a unidade de triagem.
O ex-deputado manifestou a intenção de buscar uma perícia independente para entender as circunstâncias da morte. Ele também mencionou a suspeita de envenenamento e afirmou que pretende buscar a responsabilização judicial dos envolvidos caso as investigações apontem irregularidades.
Moraes questionou todas as etapas do processo, desde o primeiro contato com os vizinhos no condomínio até o período em que o animal permaneceu sob os cuidados do Cetas e do Inema.
Investigação sobre negligência
O Inema informou que também abrirá um procedimento para apurar as circunstâncias relacionadas aos cuidados com o animal silvestre. O objetivo é verificar se houve qualquer tipo de negligência por parte do tutor.
O instituto ressaltou que avaliará a adoção de medidas administrativas cabíveis após a conclusão das apurações sobre a guarda e o manejo do primata.
