Ministério Público do Espírito Santo ativa gabinete de crise para monitorar impactos do El Niño
Gabinete acompanhará áreas como segurança hídrica, saúde e infraestrutura diante de projeções de chuvas irregulares e calor.
Por Redação Diário Local
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) ativou, nesta quinta-feira (3), o Gabinete Permanente de Crise para monitorar os possíveis impactos do fenômeno El Niño no estado. A medida visa acompanhar áreas sensíveis, como segurança hídrica, defesa civil, meio ambiente, saúde, agricultura e infraestrutura, diante das projeções climáticas extremas.
O gabinete funcionará como um instrumento de articulação entre o governo estadual e as prefeituras. O objetivo é acompanhar as providências adotadas pelo poder público para antecipar consequências que podem afetar o abastecimento de água, a produção agrícola e a infraestrutura dos municípios capixabas.
Especialistas alertam que os efeitos do fenômeno podem se estender até março de 2027. Durante esse período, o Espírito Santo permanece sob risco de eventos extremos, que incluem chuvas irregulares, períodos de calor intenso, estiagem e aumento das chances de incêndios em vegetação.
A preocupação com a distribuição das chuvas
Segundo o coronel do Corpo de Bombeiros Militar Benício Ferrari Junior, chefe da Defesa Civil Estadual, o foco da atenção não deve ser apenas o volume total de chuva, mas a forma como ela ocorre. Ele explica que, se o volume mensal cair em poucos episódios, o estado pode registrar enchentes, inundações e alagamentos.
Ainda segundo o chefe da Defesa Civil, esse padrão de chuvas intensas e concentradas impede a recarga hídrica necessária para os reservatórios. O cenário pode fazer com que o estado enfrente, em um mesmo período, episódios de chuva forte seguidos de falta de água e riscos de queimadas.
O histórico de eventos do El Niño no território capixaba reforça essa tendência. Ao analisar períodos do fenômeno que cruzam o verão, observa-se uma maior incidência de secas intensas e picos de incêndios em vegetação nos períodos subsequentes.
Previsão de ondas de calor
Além da irregularidade no regime de chuvas, o calor também é um fator de alerta. O meteorologista Pedro Regoto, especialista em Mudanças Climáticas da Climatempo, aponta que o estado deve enfrentar ondas de calor no fim de 2026 e também no primeiro semestre de 2027.
A maior incidência de temperaturas elevadas deve ocorrer durante o verão. De acordo com os dados da Climatempo, o El Niño já apresenta forte intensidade, com probabilidade de atingir o patamar de 'muito forte' entre os meses de outubro e dezembro.
