Mulheres impulsionam setor cooperativista no Espírito Santo com liderança e novos cultivos
Trajetórias de liderança em transporte escolar e agricultura medicinal destacam o papel feminino no setor cooperativista do estado.
Por Redação Diário Local
Mulheres têm expandido sua presença e ocupado cargos de liderança em setores estratégicos do Espírito Santo, como o cooperativismo de transporte e a agricultura familiar. Casos de sucesso no interior do estado demonstram como a gestão feminina e a persistência têm impulsionado a economia local e a sustentabilidade em municípios como Afonso Cláudio e Santa Maria de Jetibá.
Em Afonso Cláudio, a Cooperativa de Transporte da Região Sudoeste Serrana (Cooptac) é presidida por Renata Eller Lima Dela Costa, de 45 anos. Além da presidência, ela atua como conselheira fiscal da Organização das Cooperativas Brasileiras do Estado do Espírito Santo (OCB/ES), consolidando uma trajetória que começou em 2006, quando assumiu a gestão familiar após problemas de saúde de sua mãe e irmão.
A história da Cooptac teve início com a fundação de um grupo de 45 trabalhadores que buscavam maior segurança financeira e regulamentação no setor de transporte escolar. A iniciativa foi impulsionada por Josephina Luzia de Lima, mãe de Renata, que identificou a dificuldade de estudantes da zona rural para chegarem às escolas da região.
Atualmente, a Cooptac conta com 188 cooperados e opera nos segmentos de transporte escolar, turismo e fretamento. O modelo de cooperativismo permite que os membros tenham acesso a subsídios e custos reduzidos em itens essenciais, como combustível e peças, aumentando a viabilidade do trabalho.
Como a cooperativa impacta a economia local?
O impacto da Cooptac reflete no giro de capital dentro do próprio município, já que os recursos investidos pelos cooperados circulam no comércio de Afonso Cláudio. Além do fator econômico, a cooperativa desenvolve ações sociais, como projetos ambientais, campanhas de doação de sangue e doações para hospitais.
A trajetória de liderança de Renata também destaca os desafios de gênero no setor. Segundo a presidente, a busca por espaço envolve enfrentar preconceitos sobre a capacidade de gestão das mulheres e o equilíbrio entre as responsabilidades familiares e profissionais.
Agricultura medicinal em Santa Maria de Jetibá
Em Santa Maria de Jetibá, a agricultora Selene Hammer Tesch, de 63 anos, é um exemplo de liderança no campo por meio da produção sustentável. Há 36 anos, ela cultiva mais de 360 espécies de plantas medicinais, além de hortaliças e temperos, sem utilizar agrotóxicos em sua propriedade.
A produção de Selene, baseada na agricultura familiar, ganhou relevância em feiras e projetos de cooperativismo. Em 2017, o trabalho da produtora foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), que a nomeou embaixadora para a região Sudeste na iniciativa “Mulher Rural, Mulheres com Direitos”.
