PF prende secretária sancionada pelos EUA por ligação com PCC em operação contra lavagem de dinheiro
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira foi detida na Operação Exchange, que investiga lavagem de dinheiro ligada ao tráfico internacional. Os EUA a apontaram como colaboradora próxima de Victor Shimada.
Por Diário Local
A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira, a Operação Exchange com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, alvo de sanções dos Estados Unidos anunciadas na quarta-feira por suposto elo com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Stella atuava como secretária de Victor Shimada, empresário suspeito de conectar operadores do PCC nos EUA a traficantes internacionais. Segundo o Tesouro americano, ela intermediava a coleta de grandes quantias e prestava apoio logístico às operações de lavagem de dinheiro da rede.
Mais de 50 agentes saíram às ruas para cumprir 13 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão temporária. Além de Stella, outros seis investigados foram detidos até as 7h10 da manhã. As ordens foram autorizadas pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo.
A Justiça determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o montante total de R$ 10,4 bilhões. Segundo a Polícia Federal, as apurações indicam que os investigados utilizavam um sistema estruturado para a movimentação de recursos ilícitos.
O esquema operava por transferências ilícitas de criptoativos, transporte de valores em espécie, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas. A análise preliminar permitiu identificar movimentações superiores a R$ 10 bilhões.
Líder da rede segue foragido
Victor Shimada, principal alvo da operação, é procurado pela Polícia Federal e segue foragido. O governo dos EUA anunciou na quarta-feira sanções contra Shimada e Stella, descrevendo a organização do empresário como responsável pela lavagem de mais de US$ 30 milhões (R$ 155 milhões na cotação atual) provenientes de atividades criminosas em diversas cidades americanas.
Shimada é sócio da Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos, Wave Construções Inteligentes e Avenidas Flutuantes, sediada em Portugal. Todas as quatro empresas foram sancionadas pelos EUA.
Antes das sanções americanas, as autoridades brasileiras não haviam apontado vinculação direta de Shimada com o PCC. No Brasil, o empresário foi condenado por integrar um esquema de fraude eletrônica e lavagem de dinheiro contra o antigo Banco Votorantim, hoje BV. Ele também é réu no caso Vai de Bet e Corinthians, que apura desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o time e a casa de apostas.
Operações em múltiplos países
Segundo o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), a rede criminosa operava especialmente na Flórida, além de manter operações em Reino Unido, Turquia e Japão. O OFAC classificou o PCC como a "maior organização criminosa transnacional do hemisfério ocidental" e uma "ameaça significativa à segurança nacional dos EUA".
O órgão americano afirma que Shimada fazia a ligação entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais, utilizando criptomoedas para enviar o dinheiro lavado de volta ao Brasil em benefício da facção.
Preocupação do governo brasileiro
O governo Lula afirmou ter visto com "preocupação" as sanções impostas pelos EUA. A Secretaria Nacional de Justiça alertou que a medida pode gerar efeitos "indiretos relevantes sobre instituições financeiras estrangeiras, inclusive brasileiras, em razão do risco de restrições regulatórias e eventual exposição a sanções secundárias".
A operação marca um passo importante da Polícia Federal no combate aos esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao tráfico internacional, com o apoio de informações compartilhadas pelas autoridades americanas sobre as conexões entre a rede criminosa investigada e facções brasileiras atuantes no exterior.
