Polícia prende dono e funcionários de clínicas em Montes Claros por tortura e crimes sexuais
Operação da Polícia Civil identificou 40 vítimas e investiga crimes de tortura, abusos sexuais e condições sub-humanas em estabelecimentos clandestinos.
Por Redação Diário Local
Seis pessoas foram presas nesta terça-feira (22) durante a Operação Refúgio Seguro, que investiga clínicas clandestinas em Montes Claros, no Norte de Minas. A ação é um desdobramento da Operação Amparo, realizada em agosto deste ano.
A Polícia Civil cumpriu seis mandados de prisão temporária e dois de busca e apreensão contra o proprietário das clínicas e funcionários. A investigação identificou pelo menos 40 vítimas e aponta a ocorrência de crimes sexuais, tortura, agressões físicas, crimes contra a saúde pública e manutenção de pessoas em condições sub-humanas.
De acordo com a delegada Karine Maia Costa, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, pelo menos 10 vítimas teriam sofrido abusos sexuais. A autoridade relatou que o proprietário utilizava métodos como chantagem, ofertas de dinheiro ou de drogas, além de ameaças, para coagir as mulheres a manterem relações sexuais ou para dificultar a saída das clínicas.
Como funcionavam as clínicas?
A investigação, que dura cerca de três anos, revelou que os estabelecimentos eram abertos de forma regular, mas apresentavam graves irregularidades. O Ministério Público da Vara da Infância identificou que crianças eram mantidas junto com adultos, além de problemas com o tempo de internação e a administração de medicamentos.
Segundo a Polícia Civil, o proprietário utilizava uma estratégia de abrir novas clínicas em zonas rurais e locais afastados sempre que um estabelecimento era interditado. Ao todo, seis clínicas foram identificadas no decorrer das apurações.
A delegada explicou que a dificuldade em produzir provas ocorreu porque muitos familiares das vítimas eram monitorados por funcionários e, por meio de ameaças, as internas chegavam a retirar depoimentos prestados anteriormente por medo de represálias. O Poder Judiciário de outras cidades de onde vinham as pacientes também não tinha conhecimento do esquema.
Histórico da investigação
A investigação ganhou força após a Operação Amparo, realizada em 28 de agosto, quando quatro mulheres, incluindo duas menores de idade, foram resgatadas em uma clínica de recuperação na zona rural de Montes Claros. Na ocasião, foram apreendidos documentos, celulares, medicamentos e carimbos de profissionais de saúde.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam e que o objetivo é identificar e ouvir todas as vítimas do grupo.
