Justiça determina soltura de influenciadora presa em operação contra apostas ilegais na Serra
Thayna Endringer e Flávio dos Santos Medina foram liberados após investigação da Polícia Federal sobre esquema de apostas esportivas irregulares
Por Davy Albuquerque
A influenciadora digital Thayna Endringer recebeu alvará de soltura neste sábado (18) após passar três dias presa. A decisão foi confirmada pela Secretaria de Justiça (Sejus), que também informou a soltura de Flávio dos Santos Medina, outro investigado no caso.
Thayna foi detida durante uma operação da Polícia Federal na Serra, no Espírito Santo. Ela é suspeita de integrar um grupo responsável por um esquema de apostas esportivas ilegais.
O advogado de Thayna, Douglas Luz, afirmou que a defesa adotou uma postura de colaboração com o trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público Estadual. Segundo o advogado, a investigada prestou interrogatório e apresentou documentos pertinentes ao caso, que tramita em segredo de justiça.
O que apura a Operação Slots?
A investigação, denominada Operação Slots, apura a existência de uma organização criminosa que utilizava plataformas de apostas (conhecidas como bets) sem autorização para funcionar no Brasil. O grupo utilizava empresas de fachada e mecanismos financeiros para esconder a origem do dinheiro obtido com a atividade.
De acordo com a Polícia Federal, as investigações tiveram início após indícios de lavagem de dinheiro ligados ao tráfico de drogas. A corporação identificou uma estrutura voltada para a exploração clandestina dessas plataformas on-line.
A Polícia Federal aponta que influenciadores digitais eram utilizados para a divulgação dos sites irregulares. Além disso, empresas intermediadoras de pagamento recebiam e distribuíam os valores. Os investigados também apresentariam evolução patrimonial incompatível com a renda declarada.
Uso de símbolos oficiais para enganar usuários
Segundo a Polícia Federal, os sites utilizados pelo grupo faziam uso indevido de símbolos e referências visuais ligados ao Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), do Ministério da Fazenda, e ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar). O objetivo era criar uma falsa aparência de regularidade para os apostadores.
Os depósitos feitos pelos usuários eram direcionados para empresas que não possuíam autorização para explorar a atividade de apostas no país.
Ao todo, a Justiça determinou o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária, expedidos pela 2ª Vara Criminal de Vitória. As ordens de cumprimento abrangem os estados do Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Paraíba e Sergipe. A Justiça também ordenou o bloqueio de bens e valores de até R$ 951,1 milhões.
