Tecnologia e novos métodos substituem lupa em investigações de detetives particulares
Profissionais utilizam técnicas como OSINT e cursos de investigação criminal para combater golpes virtuais e localizar pessoas.
Por Redação Diário Local
O avanço dos crimes digitais e a necessidade de novas técnicas de apuração transformaram a atuação dos detetives particulares. O antigo estereótipo do profissional que utiliza lupa deu lugar a especialistas que recorrem a cursos de investigação criminal, tecnologia e métodos inovadores para localizar pessoas e investigar delitos.
A profissão é regulamentada pela Lei nº 13.432/2017 e abrange o levantamento de informações e a produção de elementos de prova que podem auxiliar empresas, advogados e, em situações específicas, autoridades policiais. O desenvolvimento tecnológico tem sido um facilitador para o setor, conforme apontam profissionais da área.
A procura por esses serviços tem se mantido alta, acompanhando as mudanças na criminalidade. O aumento de golpes virtuais, por exemplo, exigiu que investigadores buscassem especialização para identificar criminosos que utilizam meios digitais para aplicar estelionatos.
Como funciona a atuação do detetive
A atividade pode ser realizada de forma isolada ou para subsidiar investigações oficiais. Marcelo Carneiro de Souza, vice-presidente da Associação Nacional dos Detetives e Investigadores Privados do Brasil (Anadip), explica que, quando não há uma investigação em curso, o detetive pode levantar dados para ajudar no registro de boletins de ocorrência.
Um dos métodos utilizados é o OSINT, uma técnica que consiste na coleta de informações disponíveis em fontes abertas, como redes sociais, sites e registros públicos. No entanto, toda a coleta de dados deve observar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o respeito à intimidade dos envolvidos.
Em casos de investigação defensiva, o profissional pode atuar sob a orientação de um advogado. Nesse cenário, o detetive realiza trabalhos de campo para localizar testemunhas, verificar endereços e reconstruir a dinâmica de fatos, entregando um relatório sobre o que foi apurado.
Limites legais e poder de polícia
Apesar da regulamentação, os detetives particulares não detêm poder de polícia. Isso significa que eles não podem executar medidas que dependam de autorização judicial ou realizar atos que são exclusivos de agentes estatais. O trabalho deve ser sempre pautado pela legalidade e pela obtenção de provas lícitas.
A legislação permite, contudo, a colaboração entre detetives e a polícia. De acordo com a Lei nº 13.432/2017, o profissional pode colaborar com investigações em andamento, desde que haja autorização do contratante e que o delegado responsável pelo caso aceite o auxílio.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) informou que não possui dados sobre o tema e ressaltou que não há relato de auxílio de detetives particulares à Polícia Civil no Espírito Santo.
