Ações de exportadoras caem em rali da Bolsa após valorização do real e mudança de investidores
Valorização do real e rotação de ativos favorecem empresas domésticas e pressionam papéis de commodities e receitas dolarizadas
Por Redação Diário Local
Um grupo de 12 empresas que compõem o Ibovespa, Small Caps e IDIV fechou os pregões de 5 e nesta terça-feira (6) (segunda e terça-feira) no campo negativo, contrariando a alta generalizada do mercado após o primeiro turno das eleições.
O levantamento da Elos Ayta aponta que a lista de quedas é liderada pela Suzano, com baixa de 5,93% entre o fechamento de 2 e nesta terça-feira (6), seguida pela Embraer, com queda de 4,17%. Outras empresas no vermelho incluem Vale (-2,40%), Gerdau (-2,18%), Usiminas (-2,14%), PRIO (-1,52%), WEG (-1,36%), Vibra Energia (-1,18%), Metalúrgica Gerdau (-0,94%), BB Seguridade (-0,91%), Klabin (-0,64%) e CSN Mineração (-0,60%).
Por que as exportadoras caíram?
A concentração de perdas em empresas de commodities e exportadoras não é coincidência. O rali eleitoral foi acompanhado por uma valorização de 4,86% do real em apenas dois pregões, com a PTAX passando de R$ 5,2238 para R$ 4,9698 no período.
Segundo o assessor de investimentos Mario Machado, da InvestSmart/XP, dez dos 12 papéis que caíram são empresas com receitas atreladas ao dólar ou focadas em exportação, como os setores de celulose, minério, aço e petróleo. Para essas companhias, o real mais forte pode dificultar a conversão das receitas externas para a moeda brasileira.
O CEO da MA7 Capital, André Matos, explica que o movimento reflete uma rotação setorial clássica. Os investidores estão migrando de setores exportadores para negócios mais sensíveis ao cenário doméstico e a juros menores, como bancos, varejo e construção.
A queda representa oportunidade?
Apesar das baixas, analistas recomendam cautela ao interpretar esses preços como oportunidades de investimento "descontadas". André Matos afirma que a queda tem uma razão clara e que o investidor deve observar não apenas a receita em dólar, mas também o nível da dívida da companhia na mesma moeda.
Mario Machado complementa que, ao converter o desempenho para dólares, 11 das 12 ações que caíram em reais apresentaram valorização em moeda americana entre 2 e nesta terça-feira (6). Apenas a ação que registrou a maior queda em reais permaneceu negativa após a conversão cambial.
No caso da Embraer, embora tenha caído 4,17%, a empresa ainda mantém uma visão positiva por parte do Morgan Stanley, o que a diferencia de outros nomes como Suzano e Vale, que sofreram reduções de posição ou saída da carteira do banco devido à rotação de ativos para o mercado doméstico.
