Diálogos mostram que dono do Banco Master intervinha em reportagens de portal de notícias
Mensagens de celular revelam que Daniel Vorcaro pedia edições, vetava textos e sugeria temas favoráveis a ele em portal de notícias.
Por Redação Diário Local
Diálogos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, revelam que o banqueiro intervinha diretamente na redação de um portal de notícias para direcionar conteúdos. As mensagens, identificadas pela Polícia Federal, mostram que Vorcaro pedia alterações em textos, sugeria pautas favoráveis à sua instituição e chegou a vetar a publicação de matérias.
As conversas envolvem a CEO do portal, Lilian Tahan, que intermediava o contato com o banqueiro e atendia aos seus pedidos de edição. Segundo os registros, Tahan marcava reuniões presenciais e comunicava as decisões de Vorcaro, incluindo a alteração de manchetes e a retirada de nomes de empresas de reportagens já elaboradas.
As investigações mostram que o controle sobre o conteúdo ocorria em temas financeiros e de imagem institucional. Em abril de 2025, após Vorcaro desmentir rumores sobre uma proposta de compra de ativos do banco pelo BTG Pactual, a jornalista aceitou a instrução de publicar o texto de modo que a negativa não desse a impressão de falta de interesse comercial.
Em outra ocasião, o banqueiro sugeriu ajustes para inflar números em uma reportagem sobre balanços financeiros, enviando dados para serem utilizados. Em maio de 2025, Vorcaro ordenou a retirada do nome de uma empresa de uma matéria sobre a compra de ativos bilionários pelo BTG Pactual, pedido que foi prontamente atendido pela direção do veículo.
A intervenção também alcançava o enquadramento de manchetes. Em julho de 2025, um texto sobre a entrega de documentos ao Banco Central para a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB) teve o título alterado por sugestão de Vorcaro. O objetivo era mudar o foco do fato para uma tendência de aprovação nos dias seguintes.
Os registros também apontam tentativas de limitar a exposição de críticos do banco. Vorcaro solicitou à CEO do portal que reduzisse o espaço destinado a Ricardo Cappelli, então candidato ao governo do Distrito Federal (DF), que era um crítico das transações realizadas entre o Banco Master e o BRB.
O poder de veto do banqueiro ficou evidente quando matérias foram integralmente retiradas do ar. Uma reportagem sobre a repactuação entre a Oncoclínicas e o Banco Master deixou de ser publicada após Vorcaro afirmar que o tema lhe causava incômodo. A operação de compra do Master pelo BRB foi vetada pelo Banco Central em setembro de 2024, e o banco de Vorcaro foi liquidado em novembro do mesmo ano.
As comunicações encontradas pela Polícia Federal também incluem diálogos com outros executivos do setor de mídia. As investigações continuam apurando o alcance das tratativas e o impacto das intervenções no conteúdo jornalístico do veículo.
