BlackRock eleva posição em títulos dos EUA após seis anos de cautela
A gestora elevou a recomendação para títulos de curto prazo dos EUA e reduziu a posição em ações americanas devido à volatilidade.
Por Redação Diário Local
O BlackRock Investment Institute, braço de pesquisa da gestora BlackRock, elevou sua posição em relação aos títulos do Tesouro americano (Treasuries) pela primeira vez em seis anos. A instituição adotou uma estratégia de compra (overweight) para os títulos de curto prazo e mudou a recomendação para os papéis de prazo mais longo de cautela (underweight) para neutra.
A mudança de postura ocorre após os rendimentos dos títulos atingirem os maiores níveis em mais de duas décadas. Para os estrategistas da gestora, as expectativas de aperto monetário pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, podem estar excessivas, o que torna os títulos de curto prazo atrativos caso essas apostas de mercado sejam reduzidas.
A guinada na estratégia de renda fixa também incluiu a redução da posição de cautela em títulos do governo japonês. De acordo com nota assinada pelos estrategistas Jean Boivin, Wei Li e pelo diretor de renda fixa global, Rick Rieder, a gestora busca garantir uma renda atrativa diante do ajuste dos rendimentos.
Para financiar o aumento da posição nos títulos americanos, a BlackRock rebaixou a recomendação para as ações dos Estados Unidos para o nível neutro. A decisão foi motivada pela busca de gestão de risco diante da potencial volatilidade em torno da expansão da inteligência artificial (IA) no mercado financeiro.
Por que houve o recuo na recomendação de ações?
A gestora afirmou que o ajuste na recomendação de ações americanas visa o gerenciamento de riscos no curto prazo, sem alterar a visão de longo prazo. A equipe ressaltou que a convicção no crescimento impulsionado pela inteligência artificial permanece intacta.
Mesmo com a cautela temporária, a BlackRock mantém preferência por empresas ligadas ao setor de IA e companhias de infraestrutura listadas em bolsa. O objetivo é aguardar por pontos de entrada mais atrativos e maior visibilidade no setor para retomar o aporte de risco.
A estratégia também contempla a redução da posição em títulos lastreados em hipotecas (MBS) de agências americanas, que passaram para o nível neutro. O movimento ocorre em um cenário onde investidores monitoram o crescimento econômico, a demanda por capital e preocupações com a inflação.
A análise da gestora indica que, no patamar atual, a renda gerada pelos títulos pode compensar eventuais perdas com a alta das taxas. Segundo a instituição, o rendimento dos títulos só passaria a ter retorno total negativo caso as taxas subissem mais de 75 pontos-base nos próximos 12 meses.
