Indústria da construção civil alerta para impacto do fim da escala 6x1 em obras sociais
Entidade estima necessidade de 288 mil novas contratações e alerta para risco de redução em unidades do Minha Casa, Minha Vida.
Por Redação Diário Local
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) estima que a extinção da escala 6x1 pode exigir a contratação de aproximadamente 288 mil novos trabalhadores até 2027. A projeção da entidade ocorre após o Senado Federal aprovar, na noite desta quarta-feira (14), o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso.
A aprovação no Senado foi realizada em dois turnos, com 75 votos favoráveis ao texto. Apenas o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) votou contra a medida, enquanto os senadores Rogério Marinho (PL-RN), Ciro Nogueira (PP-PI) e Marcio Bittar (PL-AC) não participaram da votação.
A CBIC, que representa as empresas do setor, ressaltou a importância social da medida, mas defendeu a necessidade de um período de transição adequado. Segundo a entidade, esse intervalo é essencial para que as empresas possam reorganizar seus processos produtivos e atividades diante da nova realidade.
A organização alerta que a redução da jornada pode pressionar os custos de produção e comprometer o ritmo de execução de obras de infraestrutura e de programas sociais. Para a indústria, a principal preocupação é que os efeitos da mudança atinjam diretamente a população, especialmente famílias de baixa renda que dependem de serviços essenciais.
Impactos no programa Minha Casa, Minha Vida
No caso específico do programa Minha Casa, Minha Vida, a CBIC projeta que a redução da jornada de trabalho pode reduzir o ritmo de financiamentos em cerca de 30 mil unidades habitacionais por ano. De acordo com os estudos da entidade, isso significaria aproximadamente 83 mil pessoas a menos com acesso à casa própria anualmente.
A entidade defende que os avanços nas condições de trabalho devem ser acompanhados por medidas que preservem a capacidade de investimento do país. O objetivo seria evitar o encarecimento de obras e atrasos em projetos fundamentais para o desenvolvimento nacional.
Riscos ao saneamento e infraestrutura
O setor de saneamento básico também foi citado como área de risco pela representação da indústria. A CBIC afirma que o aumento dos custos de produção decorrente da nova jornada pode dificultar a expansão dos serviços de saneamento pelo Brasil.
Segundo a entidade, o impacto no saneamento pode ser mais severo nas regiões Norte e Nordeste, onde o país ainda enfrenta déficits importantes de infraestrutura. A indústria reforça que a mudança exige atenção aos efeitos sobre toda a sociedade, sobretudo sobre os grupos mais vulneráveis.
