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Economia

Cortes em benefícios sociais podem causar retração econômica em cidades do interior, diz estudo

Levantamento da USP mostra que redução em aposentadorias e Bolsa Família pode reduzir renda no interior em até 10,8%

Por Redação Diário Local

A estagnação ou cortes nos benefícios sociais e previdenciários podem causar uma retração severa na atividade econômica de municípios do interior do Brasil, aponta um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Universidade de São Paulo (USP).

O levantamento, lançado nesta semana, revela que aposentadorias, Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) possuem peso significativo na economia dessas localidades. Em algumas regiões, esses valores chegam a representar quase metade do orçamento de famílias de baixa renda.

De acordo com a co-diretora do Made-USP, a economista Luiza Nassif, o uso desses recursos é voltado quase totalmente para a compra de itens de primeira necessidade. Esse fluxo garante que o dinheiro circule de forma imediata no comércio local, o que ajuda a manter a arrecadação municipal e a geração de empregos.

Qual o impacto nas cidades do interior?

O estudo destaca que, dos 5.569 municípios brasileiros, cerca de 4 mil estão localizados fora das regiões metropolitanas. Nessas cidades, o impacto das transferências públicas é muito maior do que nos grandes centros urbanos, chegando a ser o dobro do peso observado nas metrópoles.

No Ceará, por exemplo, os benefícios sociais e previdenciários representam 22% da renda agregada da capital e da região metropolitana. Já nos municípios do interior do estado, esse percentual sobe para 40%.

O levantamento projetou que, caso não ocorram reajustes reais — como os registrados entre 2022 e 2025 —, a renda agregada no interior do país sofreria uma queda entre 6,8% e 10,8% em comparação ao patamar atual.

Quais estados seriam mais afetados?

Os cenários de maior risco econômico foram identificados no interior do Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí. Nessas localidades, o estudo estima que a renda total cairia entre 17% e 18% caso não se mantenha o ritmo de aumento dos benefícios.

Em estados como Amazonas, Sergipe e Pernambuco, a perda projetada é de cerca de 15%. Já em Ceará, Maranhão, Alagoas e Bahia, a queda ficaria entre 10% e 13%. Em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, o prejuízo estimado é de 6,5%.

O risco de aumento da pobreza

Além do efeito no comércio, o estudo alerta para o impacto social. Simulações indicam que a ausência de ganhos reais nos benefícios entre 2022 e 2025 teria empurrado aproximadamente 2,7 milhões de pessoas para a situação de pobreza em municípios fora das regiões metropolitanas.

Dessas pessoas, 2,4 milhões estariam em situação de extrema pobreza. Em números absolutos, os maiores aumentos da pobreza ocorreriam na Bahia, com até 336 mil novas pessoas, seguida por São Paulo (263 mil) e Minas Gerais (251 mil).

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.