Impasse na gestão de fundo de eleições leva disputa entre gestoras à CVM
Conflito sobre transferência de gestão de fundos da Gauss para o ASA gera impasse no fundo Zaftra, especializado em mercados eleitorais.
Por Redação Diário Local
A disputa entre as gestoras ASA e B.Side Wealth Management pela administração de fundos de investimento chegou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O impasse envolve o fundo Zaftra Multimercado, o único no Brasil com estratégia voltada para operar mercados durante períodos eleitorais.
O conflito surgiu após assembleias realizadas nesta segunda-feira (8), quando os cotistas decidiram sobre a transferência da gestão de ativos que pertenciam à Gauss Capital e passaram para o ASA no ano passado. Enquanto a troca de gestão foi aprovada para dois fundos, a votação do Zaftra Multimercado não pôde ser encerrada devido à ausência de votos decisivos.
Segundo atas da administradora S3 Caceis, a transferência da gestão da ASA para a B.Side foi aprovada no Gauss Multimercado, com 79,84% dos votos, e no Zaftra CIC, com 70,96%. Já no Gauss CIC, a mudança não atingiu os 50% necessários para a troca. No Zaftra Multimercado, a votação foi interrompida.
Por que houve o impasse no Zaftra?
O impasse decorre da estrutura do fundo, que é dividido em duas partes. O Zaftra CIC atua como um fundo "feeder" (de cotas), que capta recursos e os reaplica no Zaftra Multimercado, do qual detém 62,65% das cotas.
Na assembleia realizada na manhã de segunda-feira (8), os cotistas do Zaftra CIC orientaram o ASA, que representa o fundo como gestor, a votar pela transferência do Zaftra Multimercado. No entanto, o ASA não compareceu à votação da tarde.
Embora os representantes de outros 37,35% das cotas do Zaftra Multimercado tenham votado pela transferência, o número foi insuficiente para validar o resultado sem a participação do ASA. Diante disso, a administradora S3 Caceis levou a questão para decisão da CVM.
Contexto da disputa entre Gauss e ASA
A transferência de gestão envolve cerca de R$ 220 milhões e 400 cotistas. O movimento faz parte de um conflito maior entre a Gauss e o ASA, iniciado após a absorção de fundos pela instituição financeira em junho do ano passado.
O acordo original previa que o ASA receberia os fundos e parte da estrutura da Gauss. A disputa judicial começou após o processo ser visto como quebra de acordo pela Gauss. Em meio ao litígio, cotistas solicitaram a troca da gestora.
O ASA já havia solicitado uma liminar na Justiça para suspender assembleias previstas para agosto, mas o pedido foi negado pela 3ª Vara Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem de São Paulo. O ASA não comentou o desfecho das assembleias ou a troca de gestão dos fundos.
