Cooperativas e projetos oferecem programas de educação financeira para reduzir endividamento
Com 81,7% das famílias brasileiras endividadas, iniciativas de cooperativas e projetos escolares buscam ensinar o uso consciente do crédito.
Por Redação Diário Local
O índice de endividamento das famílias no Brasil atingiu 81,7%, conforme dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Diante desse cenário, cooperativas e instituições estão ampliando programas de educação financeira para auxiliar na organização do orçamento e no uso consciente do crédito.
Em Cariacica, a Cooperáguia, em parceria com o Grupo Águia Branca, desenvolve uma iniciativa voltada para seus colaboradores por meio de palestras e mentorias individuais. O acompanhamento, com duração de aproximadamente dois meses, foca na identificação de gastos desnecessários e na análise de custos para ajudar os participantes a construírem uma relação mais saudável com o dinheiro.
O Sicoob também atua com o Projeto de Cidadania Financeira, que atualmente atende um grupo-piloto de cerca de 15 mil cooperados com indícios de insegurança financeira. A instituição oferece as Clínicas Financeiras, onde profissionais realizam atendimentos gratuitos, presenciais ou virtuais, com duração de 30 a 40 minutos.
As ações de orientação também contemplam a população idosa da comunidade, grupo considerado vulnerável por apresentar maior carência de instruções sobre gestão de recursos. O objetivo é oferecer suporte para evitar que essa parcela da população sofra com a falta de conhecimento sobre ferramentas financeiras.
Como as escolas estão tratando o tema?
Para prevenir o endividamento futuro, a educação financeira tem sido levada ao ambiente escolar na Grande Vitória. A Sicredi Serrana iniciou o programa Finanças na Mochila, que capacita professores de unidades municipais de Vitória e Viana para trabalhar o tema com alunos do 1º ao 5º ano.
Em Viana, a formação da equipe técnica ocorreu no primeiro semestre de 2026, enquanto em Vitória a capacitação começou no segundo semestre. O programa busca que os estudantes levem o aprendizado para além da sala de aula, promovendo reflexões sobre consumo e hábitos financeiros junto às suas famílias.
No campo legislativo, o Senado aprovou um projeto que prevê a inclusão de conteúdos de educação financeira, fiscal, previdenciária e securitária nos ensinos fundamental e médio. O texto, que propõe a integração dessas matérias a disciplinas como Matemática, retornou para a Câmara dos Deputados e ainda aguarda tramitação para virar lei.
O controle de gastos e a busca por orientação são passos fundamentais para o equilíbrio das contas. Especialistas recomendam anotar todas as despesas para visualizar o orçamento, buscar renegociações junto a credores e utilizar canais de ajuda gratuita, como as clínicas financeiras de cooperativas, para obter suporte profissional.
