Exportações da China disparam 36% e aproximam país de superávit de US$ 1 trilhão
Forte demanda por chips e produtos de tecnologia verde impulsiona as vendas externas e deve aproximar o país de superávit histórico.
Por Redação Diário Local
As exportações da China registraram um crescimento de 36,3% em setembro em comparação ao mesmo período do ano passado, superando as expectativas do mercado. O avanço das vendas externas impulsionou o superávit comercial do país, que atingiu US$ 133,53 bilhões no mês, aproximando o país da marca de US$ 1 trilhão de superávit anual.
Os dados da alfândega chinesa, divulgados nesta quarta-feira (14), mostram que o ritmo de crescimento das exportações em setembro foi o mais acelerado desde fevereiro. O resultado superou a previsão de aumento de 25,5% feita por economistas e a marca de 25,0% registrada em agosto.
As importações também apresentaram robustez, com alta de 31,0% em relação ao ano anterior, superando a previsão de 24,5%. O movimento foi sustentado pela demanda global por componentes de tecnologia, como chips, e por produtos de tecnologia verde.
O que impulsionou o comércio chinês?
Setores de alta tecnologia e o mercado automotivo foram os principais motores do desempenho. Nos primeiros nove meses do ano, as exportações de chips cresceram 108,1% em valor, enquanto o setor de automóveis registrou alta superior a 50%, tanto em volume quanto em valor.
A demanda por produtos tecnológicos, impulsionada pela expansão da infraestrutura de Inteligência Artificial (IA), deve manter o fluxo de exportações aquecido. Esse cenário ajuda a aliviar a pressão sobre as autoridades chinesas para sustentar o crescimento econômico diante da demanda interna moderada.
O superávit de setembro foi favorecido por resultados positivos com grandes blocos econômicos. A China obteve um superávit de US$ 34,01 bilhões com os Estados Unidos — o maior nível em 20 meses — e de US$ 34,8 bilhões com a União Europeia.
Quais são os riscos para o setor?
Apesar do otimismo, o comércio global enfrenta incertezas. O vice-ministro da Alfândega, Wang Jun, afirmou em coletiva de imprensa que conflitos geopolíticos poderiam afetar as trocas comerciais, embora tenha declarado que existem condições para o crescimento no quarto trimestre.
No caso da União Europeia, um acordo recente para limitar a exportação de veículos híbridos chineses para o bloco pode impactar o comércio automotivo a longo prazo. Analistas avaliam que exportadores podem tentar antecipar embarques antes que novas medidas comerciais sejam definidas em dezembro.
