Feira de agricultura familiar no Espírito Santo movimenta mais de R$ 1 milhão
Evento reuniu produtores para venda de queijos, cafés e produtos artesanais em Vitória no último fim de semana.
Por Redação Diário Local
A 21ª Feira da Agricultura Familiar e Reforma Agrária do Espírito Santo (Feafes) e a 8ª Feira Estadual das Mulheres Trabalhadoras Rurais (Femtru) movimentaram a economia e a tradição do estado no último fim de semana (27 e 28), em Vitória. Segundo a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Espírito Santo (Fetaes), o evento movimentou uma estimativa de mais de R$ 1 milhão.
A feira reuniu famílias que produzem e comercializam itens como queijos, cafés, biscoitos e produtos artesanais. O evento também serviu como vitrine para a divulgação de marcas e a captação de novos clientes para os produtores rurais capixabas.
Inovação e tradição no campo
O presidente da Fetaes, Clébio Brambati, pontua que a diversidade de produtos é uma característica marcante da feira. De acordo com ele, os produtores encontram motivação para apresentar novas formas de agregar valor ao que é produzido nas propriedades rurais a cada edição do evento.
Apesar da busca por inovação, a produção mantém o foco na origem familiar. Os produtos apresentados carregam a história de gerações, desde o trabalho de avós e avôs até a gestão atual das famílias nas propriedades rurais.
Um exemplo de diversificação é o Sítio Hollunder, localizado em Marechal Floriano. A família de Daniela e Anderson Hollunder, que trabalhava com hortaliças, passou a produzir queijos artesanais após a pandemia, quando decidiram adquirir uma vaca para buscar uma nova fonte de renda. O negócio, que hoje conta com a participação de Estêvão e Ilsa, já recebeu premiações nacionais e mundiais, incluindo um queijo feito com café.
Em Muniz Freire, no assentamento Ouro Verde, a família de Rakiely Martins e Oliveira Teodoro investe no ramo de cafés especiais através da marca Café Mãos de Ouro. A transição para o segmento ocorreu após a percepção de diferença de qualidade durante o período da pandemia, motivando o investimento no ramo após estudos em Agronomia.
Novos empreendimentos e memória afetiva
Outros destaques da agroindústria familiar incluem a marca de biscoitos Vó Tânia, gerida por Carol Carvalho, que trabalha com receitas de família e novos produtos como o biscoito de limão-siciliano. Há também a produção de peças artesanais das irmãs Beatriz Melo e Andraci Vieira Lima, que mantêm tradições de trabalhos manuais da família.
A memória afetiva também é um diferencial, como no caso de Marcelo Thompson, de Piúma. Ele produz a Linguiça Thompson, com versões tradicionais e sabores como queijo, alho-poró e café, utilizando receitas que remetem à sua infância e ao preparo feito por sua avó.
