Indústria de Mato Grosso do Sul cresce e assume liderança no Centro-Oeste
Participação do setor de transformação no PIB estadual saltou de 10,42% em 2020 para 15,73% em 2025, impulsionada por incentivos fiscais.
Por Redação Diário Local
A indústria de transformação de Mato Grosso do Sul ampliou sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) estadual nos últimos cinco anos. O setor, que transforma matérias-primas em produtos de maior valor agregado, saltou de 10,42%, em 2020, para 15,73% do PIB em 2025, segundo levantamento do economista Enrique Duarte Romero, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).
Com o avanço, o estado assumiu a liderança do setor de transformação no Centro-Oeste, superando Goiás, que registrou 12,92% em 2025, e Mato Grosso, que teve recuo para 7,23% no período. O desempenho sul-mato-grossense também ficou acima da média nacional, que atingiu 13,7% em 2025, conforme dados do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI).
Como a reforma tributária afeta o setor?
O avanço da industrialização no estado foi impulsionado pela política de incentivos fiscais. Entretanto, o economista Enrique Duarte Romero alerta que a competitividade precisará de novos pilares após as mudanças previstas na reforma tributária.
A transição para o novo sistema de impostos começa em 2027, com a substituição do PIS e da Cofins pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). A partir de 2029, os incentivos de ICMS concedidos pelos estados passarão por uma redução gradual, com o fim da chamada guerra fiscal previsto para 2032.
Para manter o fôlego produtivo, Romero defende que o estado invista em integração logística para facilitar o escoamento da produção, além de direcionar recursos para educação, ciência e tecnologia, visando ampliar a oferta de mão de obra qualificada.
Quais os impactos no desenvolvimento humano?
O crescimento econômico tem reflexos nos indicadores sociais. Segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de Mato Grosso do Sul subiu de 0,790, em 2023, para 0,797, em 2024.
Apesar de o estado permanecer na faixa de alto desenvolvimento humano, o indicador ainda está abaixo de estados como Goiás e Minas Gerais. Romero observa que, embora os efeitos da industrialização sobre a qualidade de vida demorem mais para aparecer do que os impactos econômicos, eles tendem a ser positivos a médio e longo prazo.
Um exemplo desse movimento ocorre em Dourados, onde a economia tem diversificado o perfil: a comercialização de commodities, como milho e soja, agora divide espaço com a produção de itens de maior valor, como o etanol de milho e o óleo de soja.
Mercado de trabalho e produtividade
A industrialização também altera o mercado de trabalho local. No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desemprego em Mato Grosso do Sul foi de 2,69%, segundo a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems). O índice coloca o estado na quinta posição do ranking nacional de menores taxas de desocupação.
Por outro lado, o especialista aponta que a baixa taxa de desemprego tem gerado alta rotatividade de trabalhadores. Esse movimento obriga empresas a investirem repetidamente em treinamento, o que pode reduzir a produtividade geral da economia.
