Ademir Assunção lança novo livro de poemas e critica o impacto do dinheiro sobre a consciência humana
Em entrevista, o poeta Ademir Assunção discute o lançamento de "O jogo de xadrez e outros poemas" e o papel da linguagem na sociedade.
Por Redação Diário Local
O poeta Ademir Assunção lançou o livro "O jogo de xadrez e outros poemas", obra que traz críticas sociais e reflexões sobre o papel da linguagem na sociedade contemporânea. Em entrevista concedida ao poeta Ricardo Aleixo, Assunção discutiu como a poesia serve como contraponto à visão de mundo focada exclusivamente no lucro e na exploração de recursos.
Para o autor, que completou 65 anos recentemente, a prática poética é uma necessidade vital e um exercício de disciplina. Ele afirmou que sua trajetória não foi organizada para o acúmulo de bens, mas sim com o propósito de se dedicar inteiramente à arte da palavra.
Assunção destacou a dificuldade de manter a trajetória literária ao longo das décadas, especialmente diante das exigências de sobrevivência financeira. Segundo o poeta, é raro encontrar profissionais que consigam viver exclusivamente da produção poética, comparando a necessidade de estudo constante à disciplina de um músico profissional.
O que motiva o novo livro?
O lançamento "O jogo de xadrez e outros poemas" carrega uma visão crítica sobre a violência e a falsidade percebidas no cenário atual. O autor relatou que buscou radicalizar sua visão e seus procedimentos estilísticos, seguindo a linha de obras anteriores, como "A Voz do Ventríloquo" (2012), "Pig Brother" (2015) e "Risca Faca" (2021).
Em seu relato, Assunção criticou a postura de setores da economia, como banqueiros e especuladores, que priorizam a acumulação financeira em detrimento da contemplação e preservação do mundo. Para ele, essa mentalidade transforma espaços naturais em oportunidades de exploração comercial, como o desenvolvimento de resorts de luxo.
O poeta também mencionou o impacto de figuras ligadas ao setor tecnológico, citando o caso de Elon Musk, ao abordar a busca por colônias em outros planetas em meio a crises climáticas e econômicas na Terra. Para Assunção, o foco nessas soluções externas ignora a urgência dos problemas sociais e humanos vividos no presente.
Qual é a função da palavra na poesia?
Durante a conversa, Assunção reforçou que a palavra possui um caráter ambíguo: pode ser utilizada para a manipulação e o engano, mas também para o encantamento e o despertar da consciência. Ele defende que a linguagem tem o potencial de provocar mudanças no ambiente social e na percepção individual.
O autor concluiu que, enquanto existe um esforço para rebaixar o repertório coletivo e promover o conformismo, a poesia deve atuar como uma força de perturbação e reflexão. Para ele, o compromisso com a palavra é o que permite enfrentar o que classifica como uma "estupidez predatória" da sociedade moderna.
