Fantástico é criticado por focar em temas variados e ignorar tensão política das eleições
Artigo questiona o foco do programa em temas variados enquanto o país vive clima de polarização após o primeiro turno das eleições.
Por Redação Diário Local
O programa Fantástico foi alvo de críticas pela forma como abordou o cenário político nacional em sua edição do último domingo (12). O conteúdo foi apontado por ignorar as tensões institucionais e as disputas de campanha que marcaram a semana após o primeiro turno das eleições.
Enquanto o país vivencia um ambiente de alta polarização, com denúncias envolvendo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a atuação da Polícia Federal, a atração optou por temas variados. O noticiário nacional é composto por uma troca constante de acusações entre as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), temas que não foram o foco central do programa.
Em uma transmissão com mais de três horas de duração, o dominical reservou pouco mais de quatro minutos para tratar das agendas dos candidatos. O restante do tempo foi ocupado por pautas como o mercado de carros elétricos, a situação no Congo, dilemas da adolescência, a busca pela imortalidade e crimes do cotidiano.
A análise do conteúdo aponta que a omissão de temas espinhosos da disputa presidencial gera um descompasso com o momento vivido no Brasil. O programa teria priorizado assuntos de variedades em vez de focar nas investigações e especulações que inflamaram as redes sociais ao longo da semana.
Contexto da cobertura eleitoral
A abordagem atual é comparada à cobertura realizada pela emissora apenas sete dias antes. Na ocasião, o jornalismo apresentou uma apuração mais ágil e analítica sobre o processo democrático, contando com a condução de repórteres e âncoras em formatos de apuração direta.
O questionamento sobre o tom do programa ocorre em um período de forte tensão institucional. A crítica sustenta que a mudança de uma cobertura pulsante para um formato de variedades indica uma tentativa de evitar temas que possam gerar indisposição no público.
Audiência e conexão com o público
A desconexão entre o conteúdo exibido e a realidade política do país é relacionada à queda de audiência observada no programa nos últimos anos. O descompasso entre a pauta e o cotidiano brasileiro é visto como um fator que afeta o interesse do telespectador.
Segundo o levantamento, o público que busca jornalismo de impacto tem migrado para outros meios de comunicação, como a internet. O fenômeno sugere que a mudança no perfil das reportagens pode estar transformando a atração em apenas um ruído de fundo para o público doméstico.
