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Arte

História da arte brasileira revela que movimento neoconcreto não foi apenas evolução do concretismo

Estudo sobre as vanguardas brasileiras aponta que o neoconcretismo surgiu de tensões regionais e não de uma sequência natural.

Por Redação Diário Local

A relação entre o concretismo e o neoconcretismo no Brasil não deve ser interpretada como uma sequência natural de evolução artística, mas como um campo de tensões e rupturas. Diferente de uma narrativa de continuidade, os movimentos foram moldados por disputas regionais, diferenças de formação e contextos institucionais distintos entre São Paulo e Rio de Janeiro.

Nos anos 1950, o concretismo foi articulado pelo Grupo Ruptura, em São Paulo, com foco em sistemas formais, clareza estrutural e uma racionalidade técnica ligada à industrialização. Já o neoconcretismo surgiu no Rio de Janeiro por meio do Grupo Frente — composto por artistas como Lygia Clark, Hélio Oiticica e Lygia Pape —, deslocando a obra para a experiência sensorial, envolvendo corpo, espaço e tempo.

A diferenciação entre as correntes acompanhou as características de cada região. Enquanto o ambiente paulistano estava conectado ao design e ao desenvolvimento técnico, o cenário carioca era permeado por discussões sobre subjetividade e fenomenologia, impulsionadas pela atuação de críticos como Mário Pedrosa e pela centralidade do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio).

Teóricos como Aracy Amaral, Ronaldo Brito e Paulo Herkenhoff já apontavam que o período não foi homogêneo. Para esses estudiosos, o neoconcretismo não foi um desdobramento mecânico do racionalismo geométrico, mas uma inflexão crítica que expôs as contradições internas do projeto construtivista e das redes culturais da época.

Como a arte contemporânea encara esse legado?

Atualmente, artistas utilizam a estética das vanguardas para questionar aspectos que o movimento original não contemplou. A artista Rosana Paulino, por exemplo, utiliza a geometria para dar visibilidade à experiência negra, feminina e colonial, desafiando o ideal de universalidade que orientou as vanguardas dos anos 1950.

Na tridimensionalidade, a artista Laís Myrrha utiliza materiais como concreto e aço para tensionar o imaginário modernista. Em sua instalação "Contraplano", apresentada no Inhotim, ela confronta a monumentalidade dessas formas com as cicatrizes sociais e ecológicas de regiões impactadas pela mineração.

Outros nomes como Gonçalo Ivo, Ernesto Neto e Tunga também mantêm diálogos com o legado construtivo, seja por meio de práticas imersivas ou pelo confronto de campos simbólicos. Essas produções demonstram que a tradição construtivista permanece em constante reconfiguração.

Exposições como "Direito à Forma" (2023), no Inhotim, e "O que temos em comum? Abstracionismos", no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), reforçam esse cenário. As mostras evidenciam que o legado das vanguardas é um território disputado, que se transforma ao entrar em contato com questões sociais, raciais e políticas contemporâneas.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.