Jornalista de Juiz de Fora lança livro sobre bastidores de animação premiada
Obra de Ramon Vitral conta os processos criativos e o trabalho em stop motion do filme inspirado na obra de Angeli
Por Redação Diário Local
O jornalista Ramon Vitral lançou o livro-reportagem “Nas entranhas de Bob Cuspe”, que detalha os bastidores da animação brasileira “Bob Cuspe – Nós não gostamos de gente”. A obra narra as decisões criativas e os desafios técnicos da produção de cinco anos do filme, que é inspirado na trajetória do cartunista Angeli.
Publicado pela editora Ugra Press, o projeto literário adota o formato de “making of” para registrar o processo da animação em stop motion. O conteúdo reúne depoimentos de 16 profissionais da área, incluindo diretores, animadores, atores, fotógrafos e músicos que participaram da criação da obra.
Em Juiz de Fora, o lançamento contará com uma programação especial neste sábado (26), no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm). A partir das 14h30, haverá uma sessão gratuita do filme, seguida por um debate entre Ramon Vitral e o animador e diretor de arte Leonardo Marcini, às 16h30, com sessão de autógrafos prevista para as 17h15.
Como foi feita a animação?
O livro destaca o caráter artesanal do stop motion, técnica na qual os movimentos são capturados manualmente. Segundo o autor, o processo exige esforço intenso, no qual o trabalho de uma pessoa durante um dia inteiro de estúdio pode resultar em apenas um segundo de filme finalizado.
A obra também aborda a dinâmica de produção do longa, que uniu o rigor do stop motion com a fluidez de um documentário. Ramon Vitral aponta que o roteiro só foi finalizado quando o filme já estava pronto, uma característica singular para o gênero, que geralmente exige planejamento rígido para evitar custos elevados.
A escolha pelo método manual é vista pelo autor como um gesto que mantém o espírito do personagem Bob Cuspe. Para Vitral, o uso do stop motion em uma era de computação gráfica e inteligência artificial reforça a essência "punk" e anárquica da obra, conectando-a ao estilo de Angeli.
Premiações e legado de Angeli
O filme que serviu de base para o livro é uma das produções brasileiras mais premiadas dos últimos anos. Entre os reconhecimentos estão o Grand Prix Contrechamp no Festival de Animação de Annecy (2021) e o troféu de Melhor Filme no Festival Internacional de Animação de Ottawa (2021).
No cenário nacional, a animação conquistou o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e o Prêmio Quirino de la Animación Ibero-Americana. O livro busca agora trazer novamente o foco para a produção, que foi lançada durante o período de pandemia.
Além de documentar a técnica, o projeto funciona como uma homenagem ao legado do cartunista Angeli. O autor destaca a importância de contextualizar a obra do artista para novas gerações, preservando a memória cultural e a autonomia estética que o filme alcançou em relação aos quadrinhos originais.
