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Cultura

Filme 'A Odisseia' ajuda estudantes a entenderem a formação da Grécia Antiga

Adaptação do poema de Homero serve como ferramenta pedagógica para temas como democracia, cidadania e organização política grega

Por Redação Diário Local

A obra "A Odisseia", baseada no poema épico de Homero, pode ser utilizada como ferramenta de estudo para estudantes que se preparam para vestibulares e para o Enem. O conteúdo da narrativa permite compreender a formação do mundo grego, sua organização política e seus valores culturais, temas recorrentes em provas de Ciências Humanas, como História e Filosofia.

O poema acompanha o retorno de Odisseu à Ítaca após a Guerra de Troia. Embora a obra não possua caráter historiográfico, ela é considerada uma das mais importantes fontes para o entendimento da Grécia Antiga, segundo especialistas.

O historiador e especialista pedagógico do SAS Educação, Luiz Carlos Rodrigues, explica que conceitos como democracia, oligarquia, monarquia, escravidão e cidadania podem ser abordados a partir do texto. Para o especialista, a obra funciona como um ponto de partida para ampliar a compreensão sobre o universo histórico grego.

Para os estudantes, um ponto fundamental é saber distinguir os momentos históricos da Grécia. É necessário diferenciar o período Helênico, marcado pela consolidação das pólis e pelo surgimento da filosofia e do teatro, do período Helenístico.

O período Helenístico teve início com as conquistas de Alexandre, o Grande. Esse momento foi caracterizado pela expansão da cultura grega pelo Oriente, resultando em uma mistura com elementos egípcios, persas e mesopotâmicos, formando uma civilização de caráter cosmopolita.

Como a obra ajuda nos estudos?

Além do conteúdo histórico e sociológico, a narrativa pode ser usada como repertório sociocultural em redações. A jornada de resiliência do protagonista, que enfrenta dez anos de percurso para retornar ao seu lar, oferece exemplos de como lidar com desafios e obstáculos estruturais.

Luiz Carlos Rodrigues pontua que os elementos da mitologia podem servir como metáforas para fenômenos da sociedade moderna. A luta contra deuses, tempestades e sereias simboliza as tentações e as distrações do mundo contemporâneo.

Entre os temas que podem ser conectados à obra em textos dissertativos, destaca-se a dependência de redes sociais e algoritmos, comparando o "canto das sereias" à atenção capturada pelos usuários digitais.

O consumo exagerado e a obsolescência programada também podem ser analisados sob a ótica da ilusão de necessidades supérfluas presente na jornada épica. A disseminação de notícias falsas é outra possibilidade de analogia, associando a mentira sedutora ao risco de "naufrágios" sociais.

O combate aos obstáculos estruturais, como os desafios da educação pública no Brasil, também encontra eco na resiliência do herói. Por fim, a busca por saúde mental e a superação de traumas podem ser relacionadas ao enfrentamento de perigos enfrentados por Odisseu.

Exemplos em vestibulares

A aplicação prática do tema é comprovada por questões de grandes exames. No Enem 2025, por exemplo, a relação entre a cidade ideal de Platão e a função das classes para o bem da pólis foi tema de avaliação.

A Fuvest 2023 também utilizou reflexões sobre a Pólis, baseando-se em conceitos de Jean-Pierre Vernant. O exame abordou a soberania e a relação entre comando e obediência no espaço cívico grego.

Outras questões de vestibulares exploram temas como a cidadania em Atenas e o papel das mulheres na vida pública. As discussões envolvem desde a participação política até as limitações de voto exercidas pelas mulheres na Antiguidade Clássica.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.