Cineasta chileno Patricio Guzmán morre aos 85 anos em Paris após parada cardiorrespiratória
Diretor de obras fundamentais como A Batalha do Chile faleceu em um hospital de Paris nesta terça-feira (15)
Por Redação Diário Local
O cineasta chileno Patricio Guzmán morreu nesta terça-feira (15), aos 85 anos, em um hospital de Paris, na França. Segundo informações do jornal chileno La Tercera, o diretor sofreu uma parada cardiorrespiratória.
Nascido em Santiago em 1941, Guzmán construiu uma trajetória dedicada à investigação da memória histórica do Chile. Seu trabalho cinematográfico abordou temas como o governo de Salvador Allende e os impactos da ditadura de Augusto Pinochet no país.
Em 2023, o cineasta recebeu o Prêmio Nacional de Artes da Representação e Audiovisuais do Chile, tornando-se um dos poucos diretores a receber a homenagem, ao lado de Raúl Ruiz.
Legado no documentário latino-americano
A carreira de Guzmán foi consolidada por obras fundamentais para o gênero documental. O primeiro longa-metragem, O Primeiro Ano (1972), registrou o início do governo Allende e projetou o diretor internacionalmente.
Sua obra mais conhecida, A Batalha do Chile, foi filmada durante o período que antecedeu e sucedeu o golpe de Estado de 1973. O filme registrou a ascensão e a queda da Unidade Popular e foi concluído durante o exílio do cineasta.
Ao longo das décadas, Guzmán produziu títulos como Em Nome de Deus (1987), sobre a atuação da Igreja Católica na ditadura, e Nostalgia da Luz (2010), que explora a relação entre território e memória no Deserto do Atacama.
Outros trabalhos de relevância incluem O Botão de Pérola (2015), premiado no Festival de Berlim, e A Cordilheira dos Sonhos (2019), vencedor do Goya de Melhor Filme Ibero-Americano e do Olho de Ouro em Cannes.
Saúde e últimos projetos
Nos últimos anos, o estado de saúde de Guzmán era considerado delicado. Em entrevista concedida em 2024, o diretor revelou ter enfrentado um ataque cardíaco e problemas na coluna, além de ter passado por duas cirurgias.
Mesmo com as limitações físicas, o cineasta mantinha planos de retornar ao Chile para realizar um novo projeto cinematográfico, embora a produção não tenha chegado a ser concretizada.
O último longa-metragem de Guzmán, Meu País Imaginário (2022), acompanhou os debates políticos e o cenário social no Chile em 2019.
