Cofundador da Rockstar explica por que recusou transformar GTA em filmes de Hollywood
Dan Houser, cofundador da Rockstar Games, revelou que a falta de controle e o risco financeiro impediram adaptações para o cinema.
Por Redação Diário Local
O lançamento de GTA 6, previsto para 19 de novembro, reacendeu o debate entre fãs sobre o motivo de a franquia nunca ter recebido uma adaptação para o cinema. O cofundador da Rockstar Games, Dan Houser, explicou que a falta de controle sobre a produção e os riscos financeiros foram os principais motivos para recusar propostas de Hollywood.
Em entrevista concedida ao portal The Ankler em 2024, Houser detalhou que as conversas com executivos do setor não apresentavam vantagens reais para a desenvolvedora. Para o executivo, que deixou a Rockstar em 2020, a principal preocupação era o risco de perder a autonomia sobre a propriedade intelectual.
Segundo o relato, os executivos de Hollywood acreditavam que o interesse da empresa seria apenas em realizar o filme. No entanto, Houser questionou qual seria o benefício de entregar o controle de um ativo tão valioso para terceiros.
"Nós pensávamos: não, o que você descreveu é você fazendo um filme e nós não tendo controle, assumindo um risco enorme que acabaríamos pagando com algo que pertence a nós", afirmou o ex-executivo.
Além da questão da gestão criativa, o fator econômico também pesou na decisão. Houser ressaltou que a franquia já representava uma propriedade intelectual avaliada em bilhões de dólares.
Para ele, o modelo de negócio proposto pelas produtoras de cinema não fazia sentido financeiro na época. O risco envolvido em uma adaptação nem sempre compensava o possível retorno para a Rockstar Games.
"Eles achavam que ficaríamos deslumbrados, mas esse não era o caso. Tínhamos uma propriedade intelectual que considerávamos de vários bilhões de dólares, e a economia nunca fez sentido. O risco nunca fez sentido", declarou Houser.
Por que as adaptações eram vistas com receio?
Outro ponto levantado pelo cofundador da Rockstar foi o estigma que cercava as produções baseadas em jogos eletrônicos. Houser apontou que, durante sua gestão, existia uma percepção negativa sobre o gênero no cinema.
Naquela época, o mercado acreditava que as obras derivadas de videogames resultavam em filmes de baixa qualidade. Esse histórico de produções pouco bem avaliadas contribuía para a resistência da empresa em aceitar projetos cinematográficos.
Apesar do cenário de desconfiança enfrentado por Houser, o executivo reconheceu que o mercado de entretenimento passou por transformações significativas. A forma como o público e a crítica recebem adaptações de games mudou nos últimos anos.
Produções recentes baseadas em universos de jogos passaram a ocupar espaços de destaque no cinema e na televisão. Entre os exemplos de sucesso que alteraram essa percepção estão as séries e filmes de Fallout e The Last of Us.
Outras franquias como Sonic: O Filme e Super Mario Bros: O Filme também consolidaram o potencial comercial e crítico das adaptações de games. Esse novo contexto contrasta diretamente com o período de maior cautela da Rockstar Games.
Enquanto o debate sobre o cinema continua, o foco dos jogadores permanece no retorno da série aos consoles. O novo título chega 13 anos após o lançamento de GTA 5, mantendo a alta expectativa da comunidade global.
