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Cinema

Thriller egípcio 'Saída de Segurança' explora dilemas morais e traumas de infância no Festival do Rio

Exibido no Festival do Rio 2026, o longa de Mohammed Hammad acompanha um jovem segurança preso entre o passado e decisões morais.

Por Redação Diário Local

O thriller egípcio "Saída de Segurança", dirigido por Mohammed Hammad, foi exibido no Festival do Rio 2026. O longa acompanha a trajetória de Samaan, um jovem que trabalha como segurança e enfrenta uma rotina marcada pela repetição e por traumas de infância.

A trama foca no desejo do protagonista de publicar seu primeiro livro, intitulado "Quem eu sou?". Para viabilizar o sonho de sair de sua condição atual, Samaan acaba se envolvendo com indivíduos ligados ao extremismo, o que gera conflitos morais conforme o peso de suas escolhas aumenta.

A produção apresenta uma escala contida, sendo uma coprodução entre Egito, Líbia, Tunísia, Catar e Alemanha. O longa concentra o drama em ambientes limitados e em um grupo reduzido de personagens, mantendo uma característica de produção independente.

O impacto dos traumas no cotidiano

O roteiro de Mohammed Hammad prioriza a experiência interior do personagem, construindo a tensão através do silêncio e das falhas de comunicação. Samaan carrega marcas de uma violência sofrida na infância, quando presenciou a morte do pai em um contexto de intolerância religiosa.

Ao longo da história, a passividade do protagonista é testada quando ele decide aceitar dinheiro de grupos extremistas para financiar sua escrita. O filme explora como essas decisões, embora pareçam tentativas de mudança, aproximam o personagem justamente do tipo de violência que destruiu sua família.

A personagem Fatimah, interpretada por Noha Foad, atua como um contraponto à rotina isolada de Samaan, trazendo novas camadas à relação entre os personagens e ajudando a expor a vulnerabilidade do protagonista sem o uso de explicações excessivas.

Estética e direção

A direção de Mohammed Hammad utiliza planos longos e uma decupagem contemplativa para transmitir a sensação de paralisia emocional. A composição visual busca contrastar a pequenez do personagem diante de espaços indiferentes com enquadramentos fechados que comprimem a imagem.

Embora o ritmo mais lento seja uma escolha para acompanhar a letargia do personagem, a montagem é apontada por análises como algo que pode afetar a fluidez da tensão narrativa em certos momentos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.