Pai de Haaland foi volante pela Noruega e viu carreira encurtada após entrada de Roy Keane
Antes de ser conhecido como pai do atacante, Alf-Inge Haaland construiu trajetória marcada pela intensidade e estilo combativo na Premier League.
Por Diário Local
Muito antes de Erling Haaland se transformar em um dos maiores atacantes do futebol mundial, outro Haaland já era um nome conhecido na Inglaterra e na seleção da Noruega. Alf-Inge Haaland construiu carreira marcada pela versatilidade, intensidade e estilo combativo que conquistou torcedores de Nottingham Forest, Leeds United e Manchester City. Mas ficou para sempre ligado a um dos episódios mais polêmicos da história da Premier League: a rivalidade com Roy Keane, que resultou em uma entrada violenta e mudou os rumos de sua carreira.
Revelado na Noruega, Alf-Inge chegou à Inglaterra no início da década de 1990 e defendeu a seleção norueguesa como capitão, disputando a Copa do Mundo de 1994. Começou como zagueiro central, depois lateral-direito no Nottingham Forest, até ser deslocado para o meio-campo, posição que ocupou por Leeds e Manchester City.
Estilo diferente do filho
Ao contrário do atacante de quase dois metros conhecido pelos gols, Alf-Inge construiu sua reputação pela entrega, força física e capacidade de vencer disputas. Era um atleta muito forte fisicamente, duro nas disputas e que conhecia todos os truques do jogo. Gostava de irritar os adversários e era um jogador desagradável de enfrentar.
No início da carreira, Alf-Inge se destacava como um jogador atlético, mas não tão técnico quanto Erling. Sua força bruta e competitividade o tornavam respeitado pelos torcedores ingleses, que admiravam sua entrega em campo. Justamente essas características fizeram dele um jogador muito querido pelas torcidas de Leeds e Manchester City.
Os torcedores admiravam esse estilo competitivo, até hoje sendo muito respeitado nesses clubes. Era aquele tipo de jogador que a torcida gosta de ter — comparável a atletas brasileiros como Gilberto Silva e Dunga, que também construíram suas reputações pela entrega e combatividade no meio-campo.
O conflito com Roy Keane
Esse estilo competitivo originou uma das rivalidades mais famosas do futebol inglês. O conflito começou em 1997, quando o volante do Manchester United sofreu uma ruptura do ligamento cruzado durante partida contra o Leeds. Enquanto Keane estava caído, Haaland o acusou de simular a lesão para evitar punição, sem saber da gravidade do ocorrido.
O episódio ficou marcado na memória do irlandês, que não perdoou o pai de Haaland. Como era um meio-campista que gostava muito dessas disputas e, às vezes, provocava os adversários, era natural que ele e Roy Keane se tornassem rivais em campo. O ressentimento de Keane, porém, duraria muito tempo.
Quatro anos depois, em 2001, em um clássico entre Manchester United e Manchester City, Keane acertou uma entrada violentíssima sobre Haaland, foi expulso e, mais tarde, admitiu em sua autobiografia que o lance havia sido motivado pelo ressentimento daquele episódio de 1997. A confissão levou a Federação Inglesa a reabrir o caso, ampliar a suspensão de Keane e aplicar multa.
O próprio Haaland comentou sobre o lance na época: "Engraçado, ele nunca me olhou nos olhos desde 1997. Sempre tinham faltas mais duras em jogos assim, mas aquela foi acima do tom. Fico agradecido que minha perna estava fora do chão, senão ele teria feito um estrago e tanto". A fala revelava a intensidade do confronto entre os dois jogadores.
Treze anos após a entrada que marcou a história da Premier League, Keane foi além e revelou em sua autobiografia os verdadeiros sentimentos que motivaram o lance. "Me irritava, falando demais. Era um completo idiota jogar contra ele. Chato, traiçoeiro. Eu queria acertá-lo em cheio e mostrar quem mandava. Queria machucá-lo, ficar em cima dele e dizer: 'Toma essa, seu babaca'. Não me arrependo disso. Mas eu não tinha nenhuma intenção de machucá-lo", afirmou.
Aposentadoria e impacto na carreira
Em agosto de 2003, Alf-Inge anunciou a aposentadoria dos gramados. Embora exista debate sobre o quanto a entrada de Keane foi responsável pelo fim de sua carreira, ele também enfrentava problemas crônicos no joelho que limitavam suas atuações. A verdade é que após o episódio de 2001, praticamente não voltou a jogar futebol profissional.
Para especialistas que acompanharam sua trajetória, a entrada violenta de Roy Keane teve impacto decisivo nos rumos de sua carreira. O norueguês não conseguiu se recuperar completamente e logo após deixou o futebol de alto rendimento, encerrando uma carreira que poderia ter continuado por mais tempo.
O arquiteto da carreira do filho
Se a carreira de Alf-Inge terminou antes do esperado, sua influência sobre Erling Haaland só aumentou nos anos seguintes. Muito mais que acompanhar o desenvolvimento do filho, ele participou ativamente de cada passo da construção da carreira do atacante, desde a escolha dos clubes até a administração da imagem fora de campo.
Esse trabalho de planejamento foi determinante para transformar Erling em uma estrela global. Segundo analistas que estudam a trajetória do jovem jogador, o pai foi extremamente importante no planejamento de sua carreira como atleta, superstar e marca global. Sua experiência na Inglaterra e o respeito conquistado durante seus anos em Leeds e Manchester City certamente ajudaram a orientar as decisões do filho.
Desse modo, Alf-Inge transformou a experiência dentro e fora dos gramados — incluindo a rivalidade com Roy Keane — em um papel ainda mais importante: o de arquiteto e mentor da carreira de um dos maiores atacantes do futebol contemporâneo. Enquanto sua atuação como jogador foi encerrada precocemente, seu legado permanece vivo através do sucesso de Erling Haaland nos principais clubes e seleções do mundo.
