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Anresf proíbe Vasco de realizar negócios com Crefisa e manter relações com o Palmeiras

Medida cautelar da Anresf investiga possível conflito de interesses na venda da SAF do Vasco ao enteado de Leila Pereira.

Por Redação Diário Local

A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) proibiu, nesta quarta-feira (26), que o Vasco realize novos empréstimos com a Crefisa e mantenha relações comerciais com o Palmeiras. A medida cautelar impede qualquer vínculo entre as instituições, o que inclui inclusive a negociação de jogadores entre os clubes.

A decisão faz parte de um procedimento para investigar um possível conflito de interesses na venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco. O comprador da operação é o empresário Marcos Lamacchia, que é enteado da presidente do Palmeiras, Leila Pereira.

A Anresf, que faz parte da estrutura regulatória da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desde janeiro de 2026, acompanha o processo desde o início. O objetivo é verificar se a transação desrespeita as normas de integridade e as regras de fair play financeiro da entidade máxima do futebol brasileiro.

Por que a venda da SAF está sendo investigada?

A investigação foca no risco de uma mesma pessoa ou empresa exercer controle ou influência sobre mais de um clube que dispute as mesmas competições. De acordo com o regulamento da CBF, a influência significativa ocorre quando há capacidade de dirigir políticas financeiras ou nomear administradores-chave.

O ponto central do inquérito é o papel de José Roberto Lamacchia, pai de Marcos e marido de Leila Pereira. Ele é avalista da operação de venda do Vasco e também é sócio vitalício e conselheiro do Palmeiras, o que levanta questionamentos sobre a autonomia das decisões envolvidas.

Existe ainda um debate jurídico sobre o grau de parentesco. O Código Civil estabelece que o enteado é considerado parente por afinidade em linha reta de primeiro grau. Embora a Lei da SAF e a Lei Geral do Esporte não tratem diretamente de vínculos familiares, o caso está sendo analisado sob a ótica da governança e transparência.

O que acontece com o negócio da SAF?

Marcos Lamacchia negocia há meses a compra de 90% da SAF vascaína por pouco mais de R$ 2 bilhões. Tanto o presidente do Vasco, Pedrinho, quanto o empresário tratam o negócio como certo, mas o desfecho agora depende do parecer da Anresf.

Se a agência concluir que não há conflito de interesses, a venda prossegue normalmente. Caso o conflito seja confirmado, a Anresf poderá sugerir novas restrições para garantir a lisura da competição e a separação das gestões.

A relação financeira entre as partes já possui um precedente relevante. No fim do ano passado, a Crefisa emprestou R$ 80 milhões ao Vasco e exigiu 20% das ações da Vasco SAF como garantia. Na prática, o não pagamento da dívida poderia permitir que a empresa assumisse o controle do clube.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.