Atletas reivindicam pagamento de dívidas milionárias da Grand Slam Track de Michael Johnson
Oito meses após pedido de falência, esportistas e empresas relatam falta de repasses e previsão de pagamentos
Por Redação Diário Local
Atletas e empresas de gestão esportiva continuam cobrando o pagamento de dívidas milionárias da Grand Slam Track (GST), organização fundada pelo tetracampeão olímpico Michael Johnson. Oito meses após o protocolo do pedido voluntário de falência da liga, os envolvidos relatam que ainda não receberam os valores devidos.
Representantes de Johnson confirmaram que, de fato, ainda não foram realizadas transferências financeiras para os credores, mas não apresentaram uma previsão para que os repasses ocorram. Uma das empresas que representa atletas negou qualquer tipo de recebimento e afirmou que não houve sequer um contato inicial para informar possíveis datas de pagamento.
A apuração indica que cerca de US$ 11 milhões (aproximadamente R$ 57 milhões) da competição podem estar retidos por uma empresa terceirizada. A organização foi procurada, mas não comentou o assunto até o fechamento desta nota.
O que diz Michael Johnson sobre os pagamentos
O ex-atleta de 58 anos explicou que a organização enfrentou problemas expressivos de fluxo de caixa. Ele afirmou que uma quantia de US$ 500 mil (cerca de R$ 2,6 milhões) transferida para ele dias antes da crise na liga foi, na verdade, um reembolso de despesas.
Segundo Johnson, o limite de seu cartão de crédito pessoal foi utilizado para custear viagens da equipe devido à falta de recursos da GST. Ele declarou ainda ter emprestado US$ 2 milhões (cerca de R$ 10 milhões) à própria empresa para garantir o atendimento aos atletas, além de ter aberto mão de seu salário.
Em pedido de recuperação judicial apresentado a um tribunal de falências em Delaware, nos Estados Unidos, a organização informou possuir entre US$ 10 milhões e US$ 50 milhões em dívidas. O documento aponta que a empresa tem entre 200 e 999 credores e conta com menos de US$ 50 mil em caixa.
Impacto nos atletas e futuro da liga
A Grand Slam Track prometia premiações lucrativas, com um total que chegaria à marca de US$ 12,6 milhões (cerca de R$ 65 milhões). Entre os participantes que possuem valores pendentes estão os britânicos Josh Kerr, ex-campeão mundial dos 1.500m, e Matthew Hudson-Smith, medalhista de prata olímpico nos 400m em Paris 2024.
O brasileiro Alisson dos Santos, medalhista olímpico e título mundial nos 400m com barreiras, também figurava entre os vencedores de etapas da competição. A liga tinha etapas programadas para 2026, mas o futuro do torneio é incerto.
Michael Johnson afirmou que a realização do evento em 2026 só acontecerá caso ele consiga quitar a premiação dos atletas referente ao ano de 2025.
