Botafogo convoca assembleia para discutir aumento de capital e possível diluição da Eagle na SAF
Reunião acontece na próxima quinta-feira (24) e debate emissão de novas ações para pagar folha salarial e viabilizar venda à GDA
Por Redação Diário Local
A SAF Botafogo convocou uma Assembleia Geral Extraordinária para a próxima quinta-feira (24) com o objetivo de debater o aumento do capital social da empresa. A proposta prevê a emissão de 200 milhões de novas ações ordinárias da Classe B, movimento que pode resultar na diluição da participação da empresa Eagle na estrutura acionária.
De acordo com o edital da convocação, cada nova ação será emitida ao preço de R$ 0,01 (um centavo de real), totalizando um aporte de R$ 2 milhões. O montante será utilizado de forma imediata para o pagamento de parte da folha salarial dos funcionários da SAF alvinegra.
A medida é vista como um passo estratégico para viabilizar a transição do controle do futebol do Botafogo para a GDA, empresa do mexicano Gabriel de Alba. Embora o tema da transferência de ações para a nova investidora não seja o foco da assembleia de quinta-feira (24), o aumento de capital prepara o terreno jurídico e financeiro para o processo.
Como funciona a divisão das novas ações?
Atualmente, o Botafogo social detém 51% das ações e é o acionista majoritário, após acionar bônus de subscrição em julho. A Eagle possui os 49% restantes, mas, por determinação da Justiça do Rio de Janeiro, a empresa não possui direitos políticos no cotidiano da SAF.
O processo de emissão garante o direito de preferência para ambos os acionistas. Eles terão até 30 dias, contados a partir da aprovação do aumento de capital, para adquirir as novas ações. Nesse período, o Botafogo associativo pode incorporar até 102 milhões de ações, enquanto a Eagle pode incorporar até 98 milhões.
Caso a Eagle não exerça seu direito de compra no prazo estipulado, haverá uma "sobra" de ações. A partir desse momento, o Botafogo associativo poderá manifestar interesse e realizar a compra das ações restantes em até cinco dias após o encerramento do prazo inicial.
O que acontece se a Eagle não comprar as ações?
Se a Eagle não se manifestar e o Botafogo social subscrever a totalidade das 200 milhões de novas ações, a participação da Eagle na SAF será reduzida a um percentual muito pequeno. Esse cenário de diluição é considerado uma iniciativa para facilitar a transferência do controle da SAF para a GDA.
Enquanto as movimentações societárias ocorrem, o ex-gestor da SAF, John Textor, busca reconhecimento na Justiça para ser identificado como o dono das ações da entidade, em vez da empresa Eagle Bidco. Textor já obteve decisões favoráveis na Inglaterra e nos Estados Unidos.
Contudo, o desfecho da disputa no Brasil ainda depende de decisões judiciais. O caso aguarda a homologação de vereditos internacionais pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que tenha validade jurídica no país.
