Corinthians e Memphis Depay fecham termos de renovação que pode custar R$ 147,4 milhões
Acordo prevê renovação até 2028 e inclui pagamento de dívida anterior, totalizando custo bruto de R$ 147,4 milhões.
Por Redação Diário Local
O Corinthians e o atacante Memphis Depay chegaram a um consenso para a renovação do vínculo por mais duas temporadas, com validade até o fim de julho de 2028. O acordo, cujos termos foram redigidos no sábado (2), prevê um custo bruto que pode chegar a R$ 147,4 milhões para o clube, somando o novo contrato e o pagamento de pendências financeiras de um vínculo anterior.
As negociações, que duraram meses, entraram em fase decisiva nas últimas horas. Embora o texto final tenha sido trocado entre as partes, a assinatura formal ainda não ocorreu e o clima nos bastidores do Parque São Jorge é de apreensão.
O presidente corintiano, Osmar Stabile, analisa a concretização do novo contrato com cautela. O dirigente teme que o alto investimento resulte em uma punição de cerca de R$ 100 milhões na Fifa em um futuro próximo, além de comprometer a capacidade de investimento em outros atletas devido às restrições de transferência (transfer bans) que o clube enfrenta.
Por outro lado, a diretoria também teme as consequências caso o clube não consiga cumprir os novos compromissos financeiros, em um cenário onde o atraso de pagamentos já é uma realidade interna. Há também preocupação com o impacto no ambiente do Centro de Treinamento (CT), dado que o elenco enfrenta atrasos em salários, direitos de imagem e premiações.
Quais são os valores do novo contrato e as dívidas envolvidas?
Entre salário, direitos de imagem, ajuda de custo e comissão para o empresário, Memphis receberá cerca de R$ 2,3 milhões por mês. Para o Corinthians, o valor bruto mensal ultrapassa os R$ 3 milhões.
Ao longo dos dois anos de vínculo, o jogador terá direito a aproximadamente R$ 65,2 milhões líquidos, já considerando 13º salário, férias e FGTS. Para o clube, essa despesa direta, sem contar dívidas passadas, chegará a R$ 102,4 milhões em termos brutos.
O montante total do acordo é elevado porque inclui o parcelamento de uma dívida de R$ 43 milhões referente ao contrato encerrado em julho deste ano. Esse valor será quitado em quatro parcelas semestrais de cerca de R$ 11 milhões cada, com um acréscimo de R$ 2 milhões decorrente de salários e imagens que não foram repassados na época.
Somando tudo, o custo bruto total para o Corinthians, incluindo a dívida, é de R$ 147,4 milhões. O clube também repassará R$ 15,4 milhões ao atleta via departamento de marketing, sendo que R$ 10 milhões desse valor vêm da patrocinadora Esportes da Sorte.
Como funcionam as cláusulas de proteção e multas?
O Corinthians aceitou o pagamento de uma multa de 10%, com juros de 1% ao mês, caso haja atraso no pacote de salário, imagem e comissão após um prazo de 40 dias. Essas penalidades não se aplicam às verbas vindas do marketing.
O jurídico do clube conseguiu remover a chamada "cláusula Rojas". Com isso, caso Memphis se transfira para outra equipe, os ganhos que ele tiver no novo clube servirão para abater a dívida que o Corinthians possui com ele, evitando que o atleta receba o valor integral do contrato residual enquanto joga em outro lugar.
Não há previsão de multa rescisória no contrato. Se o clube decidir romper o vínculo, deverá repassar os valores futuros ao jogador. Já se o atleta decidir sair por atraso de dois meses nos salários, ele terá o direito de rescindir o contrato e cobrar o valor total devido.
Quais são as bonificações e as regras de vestimenta?
O acordo não prevê metas de gols ou jogos, mas estabelece ganhos sobre premiações de títulos. Memphis terá direito a 20% da premiação que a Esportes da Sorte pagar ao Corinthians e a 12,5% de premiações de organizadoras de campeonatos, como a Conmebol.
Para garantir essas verbas, o jogador precisa atuar em, no mínimo, 50% dos jogos da equipe na competição. Caso participe de menos partidas, o recebimento será proporcional ao tempo em campo.
O contrato também estabelece que, nos jogos em que estiver relacionado, o atleta deve utilizar obrigatoriamente as vestimentas do Corinthians e da Nike. A cláusula gerou incômodo por conta da relação comercial que o jogador mantém com a marca Puma.
