Coritiba planeja jogadas de bola parada com apoio de consultoria europeia e alcança resultados
Estratégia envolve especialização da comissão técnica e apoio de profissional português para ampliar repertório de escanteios e faltas
Por Redação Diário Local
O Coritiba transformou a bola parada em um elemento estratégico de sua ofensiva no Campeonato Brasileiro. Dos 30 gols marcados pela equipe na competição até o momento, oito foram resultantes de jogadas de bola parada, sendo três deles anotados nos últimos três confrontos contra Chapecoense, São Paulo e Corinthians.
O desempenho é fruto de um projeto institucional planejado desde a primeira semana de janeiro pelo departamento de futebol. A maioria dos gols saiu de escanteios, explorando a força aérea dos jogadores e o posicionamento na área adversária.
Como funciona a divisão de tarefas?
A preparação dos lances é dividida entre integrantes da comissão técnica para garantir atenção tanto no ataque quanto na defesa. O auxiliar técnico Vinícius Rovaris é o responsável por liderar a bola parada ofensiva, atuando na orientação dos jogadores durante as partidas.
No setor defensivo, o auxiliar permanente Guilherme Bossle, chamado de Guila, organiza os movimentos de proteção. Ele acompanha as partidas diretamente da cabine para observar o comportamento da equipe e as movimentações dos adversários.
O treinador Fernando Seabra destacou que o projeto é um mérito conjunto que envolve a direção de futebol, citando o trabalho de William Thomas e Jorge Andrade na concepção da ideia para fortalecer o clube institucionalmente.
O papel da consultoria internacional
Para ampliar o repertório tático, o Coritiba utiliza a consultoria de Rui Pedro Sousa, treinador e analista português especializado em análise de jogo. O profissional possui experiência em clubes como Athletico e América-MG, além de ter atuado na seleção da Albânia.
A rotina de trabalho de Rui prevê visitas ao clube a cada dois meses, com duração de duas semanas por período. Durante esse intervalo, ele trabalha diretamente com os auxiliares Guila e Vinícius para discutir novas ideias e apresentar variações baseadas em referências externas.
A ideia do clube não é substituir o trabalho interno, mas somar novas possibilidades e movimentos observados em outras competições ao trabalho já desenvolvido no Centro de Treinamento.
A preparação tática antes dos jogos
O treinamento específico ocorre estrategicamente no chamado "dia menos dois", ou seja, dois dias antes de cada partida. A escolha do momento visa equilibrar a recuperação física com o foco tático.
Após o treino mais intenso realizado dois dias antes do jogo (no "dia menos três"), a carga física é reduzida. Isso permite que a comissão técnica foque em sessões concentradas de escanteios e faltas laterais, ajustando posicionamentos e movimentos repetitivos.
O técnico explicou que, para o setor resultar em gols, é necessário volume de jogo. Segundo Seabra, é preciso acumular um número considerável de escanteios ou faltas laterais em uma partida para que a probabilidade de marcar seja alta.
