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Futebol

Espanha chega à final da Copa e expõe falta de continuidade nos processos da Seleção Brasileira

Diferença entre a filosofia de jogo da Espanha e a instabilidade técnica e de base no Brasil é evidenciada pela finalista da Copa do Mundo

Por Davy Albuquerque

A chegada da Espanha à final da Copa do Mundo evidencia o contraste entre o modelo de estruturação de processos do país europeu e a atual organização do futebol brasileiro. Enquanto a seleção espanhola segue uma filosofia de jogo padronizada em todas as categorias, o Brasil enfrenta dificuldades com trocas constantes na comissão técnica da CBF e na formação de base.

O modelo espanhol baseia-se na continuidade. O técnico Luis de la Fuente, atual comandante do time principal, iniciou sua trajetória na Espanha pelas seleções sub-19 e sub-21, além de ter liderado o projeto olímpico. Esse trabalho permitiu que características específicas fossem desenvolvidas nos atletas de acordo com suas funções em campo, gerando coletivos mais fortes.

Essa integração é refletida no banco de reservas e no campo. Dos atletas utilizados pela Espanha nas duas últimas Olimpíadas que hoje compõem o grupo de 26 jogadores para a Copa de 2026, cerca de 12 foram comandados por de la Fuente em algum momento da formação ou ciclo olímpico.

Como funciona a transição na Espanha?

Na Espanha, existe uma conexão entre as seleções de base, a olímpica e a principal. Jogadores como Pubill, Eric Garcia, Baena, Cubarsí e Joan Garcia, que foram campeões olímpicos em Paris, já integram o grupo principal hoje. Outros, como Unai Simón e Pedri, já haviam participado do ciclo de vice-campeões olímpicos em Tóquio.

Essa estrutura garante que a equipe tenha uma identidade de atuação previsível, independentemente de resultados pontuais. O foco reside na manutenção de padrões e na insistência em processos que dão lógica à proposta de jogo da federação local.

O cenário no Brasil

No Brasil, a falta de continuidade é observada na integração entre as diferentes esferas da Seleção. Diferente do modelo europeu, o grupo que participou das Olimpíadas de Tóquio teve uma participação mínima no Mundial de 2026, com apenas Bruno Guimarães, Matheus Cunha e Martinelli sendo convocados.

Além disso, a questão dos profissionais técnicos também demonstra a ausência de um plano de carreira integrado. André Jardine, comandante do título olímpico em 2021, precisou buscar oportunidades em clubes como o Atlético San Luis, no México, para se recolocar no mercado, antes de assumir o Shabab Al-Ahli, nos Emirados Árabes.

A ausência de um movimento para definir um estilo de jogo e um processo de identificação e formação de talentos desde as bases permanece como um desafio para a CBF, dificultando a sequência de trabalhos a longo prazo.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.