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Ex-presidente da Fifa critica revisão de cartão de Balogun após intervenção de Donald Trump

Joseph Blatter questionou a decisão da Fifa de reverter suspensão de jogador dos Estados Unidos após contato político.

Por Diário Local

O ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, criticou a decisão da entidade de reverter a suspensão do atacante americano Florian Balogun. A revisão da punição ocorreu após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitar a anulação do cartão vermelho aplicado ao jogador.

Blatter utilizou as redes sociais nesta segunda-feira (6) para questionar a postura da organização. Em publicação com a frase em latim "Quo vadis, FIFA?" (Para onde vai, Fifa?), o ex-dirigente afirmou que o futebol não deve se tornar um playground para o poder político.

O caso envolve uma falta cometida pelo camisa 20 da seleção dos Estados Unidos no tornozelo do zagueiro Tarik Muharemovic, da Bósnia e Herzegovina, durante a segunda fase da Copa do Mundo. O lance resultou na expulsão de Balogun, mas a penalidade foi anulada com base no artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa.

Donald Trump confirmou que entrou em contato diretamente com o atual presidente da Fifa para pedir a revisão. Na mesma ocasião, o ex-presidente americano também acusou o árbitro brasileiro Raphael Claus de possuir um histórico "suspeito", embora não tenha detalhado as alegações.

Com a aprovação do pedido, o atacante Balogun está liberado para disputar a vaga nas quartas de final contra a Bélgica. A decisão, contudo, gerou forte repercussão negativa e foi classificada como "absurda" e "ridícula" em diversas redes sociais.

A própria Uefa manifestou descontentamento com o episódio. A entidade europeia considerou que a Fifa "cruzou uma linha vermelha" ao aceitar a intervenção política para alterar uma decisão de campo em uma competição de grande porte.

Esta não é a primeira vez que Blatter critica a gestão atual, liderada por Gianni Infantino, durante o torneio. O ex-dirigente mencionou também o caso do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, que foi barrado pela imigração americana, classificando o episódio como "inacreditável e absurdo".

Blatter comandou a Fifa por cinco mandatos entre 1998 e 2015, período em que renunciou ao cargo em meio ao escândalo de corrupção conhecido como "Fifagate". Agora, ele questiona se as decisões disciplinares estão sendo pautadas por regras e evidências ou por influências externas.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.