Valor de franquias esportivas dispara e atrai grupos de bilionários para compras recordes
Acordos bilionários, como a compra do Los Angeles Lakers, refletem a valorização de times como ativos financeiros de alto valor.
Por Redação Diário Local
O controle do Los Angeles Lakers foi anunciado na última semana por Bob Iger e Joshua Kushner em um acordo que avaliou a franquia da National Basketball Association (NBA) em US$ 12,5 bilhões. O valor estabelece um novo recorde para equipes da liga, superando os US$ 10 bilhões pagos pelo próprio time no ano passado e consolidando uma tendência de valorização acelerada de franquias esportivas.
A escalada de preços reflete uma mudança de patamar no mercado esportivo global. Em 2025, o Boston Celtics foi vendido sob a liderança de Bill Chisholm por US$ 6,1 bilhões, e o Seattle Seahawks, da National Football League (NFL), foi negociado por US$ 9,6 bilhões no mês passado.
Especialistas apontam que o esporte ao vivo tornou-se uma das poucas atrações capazes de manter o público conectado à televisão, o que eleva o valor dos direitos de transmissão. Na NBA, por exemplo, o pacote de direitos televisivos com emissoras foi avaliado em aproximadamente US$ 77 bilhões para um período de 11 anos.
Por que os preços das equipes estão subindo?
Além da TV, a legalização das apostas esportivas criou novas fontes de receita para as franquias. Há também a percepção de que eventos presenciais são ativos protegidos contra a disrupção da inteligência artificial, visto que o consumo depende da experiência ao vivo.
O perfil dos compradores também está mudando. Embora bilionários individuais continuem ativos, como Jeff Bezos, que integrou um grupo de investidores na compra de um terço do Liverpool FC na última sexta-feira (14), a tendência é a formação de consórcios. Segundo o ex-proprietário do Dallas Mavericks, Mark Cuban, será cada vez mais raro ver uma única pessoa assumindo o custo total de uma franquia.
O histórico de vendas demonstra a velocidade dessa valorização. Em 2000, Cuban adquiriu o Mavericks por US$ 285 milhões; em 2023, a equipe foi avaliada em US$ 3,5 bilhões durante a venda de uma participação majoritária.
Qual o impacto da financeirização no esporte?
A entrada massiva de capital gera debates sobre a "hiperfinanceirização" das ligas. O professor David Andrews, da Universidade de Maryland, observa que, embora o modelo atraente continue encantando o público, existe o risco de desilusão caso os times passem a ser movidos exclusivamente por interesses comerciais.
Há críticas de que equipes esportivas, que possuem forte conexão cultural com suas cidades, estejam sendo tratadas como meras operações de fundos de investimento. O empresário de mídia Bill Simmons questiona a visão de clubes como ativos de revenda rápida, comparando a prática à comercialização de imóveis de luxo, o que poderia comprometer a função social das instituições esportivas.
