Meta prepara serviço de nuvem para vender poder computacional de IA e competir com Amazon e Google
Empresa estuda negócio de infraestrutura para lucrar com excedente de capacidade e recuperar bilhões investidos em data centers.
Por Diário Local
A Meta está desenvolvendo um negócio de infraestrutura em nuvem que venderá acesso a poder computacional e modelos de inteligência artificial, abrindo uma nova frente de competição com Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud.
Segundo fontes familiarizadas com o projeto, a empresa monta um serviço para gerar receita com o excedente de capacidade computacional vendido a clientes externos. Um dos planos em estudo inclui vender acesso a diferentes modelos de IA hospedados na infraestrutura já existente da Meta, em abordagem semelhante à oferta Bedrock da AWS.
A Meta operaria os data centers e chips que alimentam os modelos, incluindo seus próprios modelos Muse Spark, e cobraria dos desenvolvedores pelo acesso. A empresa também avalia vender acesso à capacidade computacional "bruta", em linha com o que fazem empresas especializadas em nuvem de IA, como a CoreWeave.
Meta Compute: a estratégia interna
O desenvolvimento dessas novas linhas de negócio faz parte do Meta Compute, uma iniciativa interna voltada à construção e gestão da infraestrutura de IA da companhia. O projeto é liderado por Santosh Janardhan, chefe de infraestrutura da Meta; Daniel Gross, um dos líderes da unidade de IA Meta Superintelligence Labs; e Dina Powell McCormick, presidente da Meta.
Os planos ainda estão em desenvolvimento, e a estratégia pode mudar. Um porta-voz da Meta recusou-se a comentar sobre os detalhes.
Recuperar o investimento bilionário
A Meta transformou o desenvolvimento de uma "superinteligência" em prioridade máxima e já comprometeu centenas de bilhões de dólares em data centers e outras infraestruturas de IA. Um negócio de nuvem oferece uma forma de recuperar parte desse investimento.
AWS, Azure e Google Cloud passaram décadas construindo plataformas que alugam acesso a capacidade computacional, armazenamento e software pela internet — negócios que hoje geram dezenas de bilhões de dólares por trimestre em receita. A demanda por poder computacional por parte dos grandes desenvolvedores de IA segue insaciável.
Vender computação é apenas mais uma forma de capturar valor do boom mais amplo da IA. Com a explosão do apetite por IA, esses provedores também ampliaram a oferta de aluguel de chips especializados e da capacidade computacional necessária para treinar e operar modelos de IA.
O que sinalizou Zuckerberg
O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, já sinalizou a investidores que está aberto a vender infraestrutura computacional excedente, ou até mesmo um serviço de API em que clientes pagariam pelo uso da IA. "Praticamente toda semana há empresas de fora nos procurando para que criemos um serviço de API ou perguntando se temos capacidade computacional que elas possam comprar de nós", disse durante teleconferência com acionistas em maio.
Zuckerberg acrescentou que a Meta ainda não ofertava essa capacidade porque acreditava ter uso para ela. "Mas, obviamente, se chegarmos a um ponto em que sintamos que exageramos na construção, essa é uma opção que temos — e isso é parte do que nos dá confiança para seguir investindo nessa expansão."
