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Advogada com 2 milhões de seguidores revela que se casou aos 15 anos para fugir de abusos

Miriane Ferreira utiliza redes sociais para orientar mulheres sobre direitos jurídicos após ter sido vítima de união precoce para escapar de violência do padrasto.

Por Redação Diário Local

A advogada Miriane Ferreira, que conta com mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais, relatou sua trajetória de superação após ter sido vítima de casamento infantil para escapar de abusos domésticos.

Nascida em Arapongas, no norte do Paraná, Miriane conta que a convivência em sua casa mudou após sua mãe sofrer um aneurisma. Nesse período, o padrasto passou a abusar da menina, que buscou refúgio em um relacionamento com um homem que tinha o dobro de sua idade. O casamento ocorreu dois anos após o início do envolvimento, quando ela completou 15 anos.

A profissional destaca que a união não era uma relação de igualdade, mas uma busca por proteção em um cenário de violência. Após o fim do casamento, Miriane enfrentou outros desafios, como relacionamentos abusivos e dificuldades para estudar, mas conseguiu concluir a graduação em Direito com o apoio financeiro e emocional de sua irmã.

Por que ela escolheu a advocacia?

Durante o período de estágio na faculdade, Miriane passou a atender mulheres que viviam em situações de dependência financeira e desconhecimento de seus direitos. Ao identificar semelhanças entre as histórias das clientes e sua própria vivência, ela decidiu mudar seu objetivo inicial de ser juíza para atuar como advogada.

Atualmente, ela utiliza plataformas como Instagram e TikTok para responder dúvidas jurídicas de forma acessível. Entre os temas mais procurados estão questões sobre união estável, divisão de bens em divórcios e direitos em casos de separação.

O cenário do casamento infantil no Brasil

O caso de Miriane reflete um problema estrutural no país. Segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o Brasil possui o maior número absoluto de casamentos infantis na América Latina e ocupa a sexta posição no ranking mundial.

Dados do IBGE indicam que, em 2024, os cartórios registraram 193 casamentos civis envolvendo menores de 16 anos, um aumento de 91 registros em relação ao ano anterior. O Censo 2022 também apontou que 32,4 mil crianças de até 14 anos viviam em uniões conjugais no Brasil.

Embora uma lei aprovada em 2019 proíba o casamento de pessoas com menos de 16 anos, a legislação ainda permite uniões entre adolescentes de 16 e 17 anos mediante autorização dos responsáveis. Especialistas apontam que essas situações costumam estar ligadas à pobreza e à desigualdade de gênero.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.