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Geopolítica

China amplia influência em agências da ONU enquanto EUA reduzem envolvimento com o sistema

Pequim aumenta presença em agências como AIEA e OMC enquanto Estados Unidos retêm contribuições e saem de organismos.

Por Redação Diário Local

A China está ampliando sua influência dentro da Organização das Nações Unidas (ONU) por meio de uma estratégia de ocupação de espaços deixados pelos Estados Unidos. O movimento ocorre enquanto o governo de Donald Trump reduz o envolvimento americano no sistema multilateral e retém contribuições financeiras para diversas agências internacionais.

O avanço de Pequim foca em agências menos visíveis ao público, mas que possuem papel decisivo na definição de padrões globais. Entre as áreas prioritárias estão a inteligência artificial, o comércio mundial, a ciência climática e a regulação nuclear.

Para consolidar essa presença, a China tem oferecido softwares, sistemas de navegação e recursos financeiros em troca de maior participação na elaboração de regras internacionais. A estratégia envolve nomeações em conselhos e parcerias que promovem uma redistribuição de poder por meio de influência direta nas agendas de comitês.

Crescimento de pessoal e presença técnica

O aumento da força de trabalho chinesa no sistema da ONU é um dos indicadores desse movimento. Desde o período anterior à pandemia, o número de funcionários chineses na organização saltou um terço, alcançando o total de 1.641 pessoas.

Na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), diplomatas afirmam que recentes nomeações para cargos estratégicos e projetos de cooperação técnica fortaleceram a posição de Pequim. A China também tem utilizado a agência para exercer pressão diplomática sobre o Japão, solicitando monitoramento contínuo do despejo de água tratada da usina de Fukushima.

Postura dos Estados Unidos e da China

Historicamente, os Estados Unidos são o principal financiador da ONU, mas o governo de Donald Trump tem adotado uma postura crítica. Trump afirmou recentemente que a entidade deve deixar de promover o que classificou como "agenda da extrema esquerda de burocratas globalistas".

O embaixador americano na ONU, Mike Waltz, alertou que o abandono de setores conservadores americanos em relação à organização pode abrir espaço para a influência chinesa. Em conferência de defesa, Waltz questionou a utilidade de manter o organismo, mas ressaltou o risco de deixar a ONU sob o comando de Pequim.

Por outro lado, a diplomacia chinesa nega que o objetivo seja assumir o controle da organização. O embaixador da China junto à ONU, Fu Cong, afirmou que o país se vê como um membro igual e está satisfeito com o aumento do interesse global pelas posições e opiniões de Pequim.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.