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Presidente da Colômbia antecipa discurso de despedida para o dia 20 de julho

Gustavo Petro deve fazer pronunciamento nas praças públicas no feriado de independência, antes do fim oficial do mandato em agosto.

Por Diário Local

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou que antecipará seu discurso de despedida para o próximo dia 20 de julho, data da celebração da independência do país. A decisão altera o rito tradicional de agosto e transfere o pronunciamento para as praças públicas, pouco mais de um mês antes do fim oficial de seu mandato, previsto para 7 de agosto.

Petro classificou o período de agosto como uma "data trágica" e convocou uma mobilização geral para organizar a "resistência" nas ruas. O anúncio ocorre enquanto a oposição de ultradireita consolida sua vitória nas urnas, apesar dos questionamentos feitos pelo atual mandatário sobre o processo eleitoral.

A definição do novo governo acontece paralelamente à conclusão da apuração do segundo turno, realizado em 21 de junho. O candidato governista Iván Cepeda admitiu a vitória de Abelardo de la Espriella em coletiva de imprensa na última quarta-feira (24), revertendo sua postura inicial de contestação do resultado.

O partido de Cepeda, o Pacto Histórico, chegou a mobilizar advogados para tentar a impugnação de 33 mil mesas eleitorais sob alegação de erros técnicos. No entanto, a contestação perdeu força após o Registrador Nacional da Colômbia informar que o escrutínio oficial teve uma divergência de apenas 0,003% em relação à apuração preliminar.

Resultados oficiais da apuração

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) confirmou a vitória apertada de Abelardo de la Espriella, com uma diferença de cerca de 250 mil votos. Segundo a contagem oficial, o candidato da direita obteve 12.959.542 votos (49,6%), enquanto o governista Iván Cepeda alcançou 12.708.712 votos.

Durante o primeiro turno, disputado em maio, Espriella já liderava com 43,7% dos votos, seguido por Cepeda, com 40,90%. Na ocasião, Petro criticou o software da empresa Thomas Greg & Sons (TGS) e apontou uma suposta diferença de 800 mil pessoas no censo eleitoral, declaração que foi rebatida pelo ex-presidente Iván Duque com acusações de desrespeito à democracia.

Perfil e propostas do presidente eleito

Abelardo de la Espriella, de 47 anos, lidera o movimento ultraconservador Defensores da Pátria. O advogado, conhecido pelo apelido "El Tigre", baseou sua campanha no foco em segurança pública, tema apontado por 40% dos colombianos como o maior problema do país devido a confrontos entre facções dissidentes das Farc na Amazônia.

Entre as promessas de governo do eleito estão a suspensão de diálogos com grupos armados, a promoção de uma ofensiva militar e a construção de 10 megaprisões. Espriella também defendeu a retirada da Colômbia de organismos internacionais, como a ONU e a OEA.

O novo presidente deverá enfrentar um cenário de fragmentação no Congresso. De acordo com os resultados das eleições de março, o Pacto Histórico, de Petro e Cepeda, deve manter a maior bancada, o que exigirá negociações constantes para a aprovação de projetos legislativos a partir de agosto.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.