Fenômeno El Niño pode causar 451 mil mortes no mundo por calor até fevereiro de 2027
Brasil está entre os países com maior impacto; estimativa prevê 13,3 mil óbitos adicionais relacionados ao calor até fevereiro de 2027
Por Redação Diário Local
O fenômeno El Niño pode provocar cerca de 451 mil mortes relacionadas ao calor em todo o mundo entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, de acordo com projeções do Climate Impact Lab. O grupo internacional de pesquisadores estima que o Brasil esteja entre as nações com o maior número de mortes projetadas devido às variações de temperatura.
No Brasil, a estimativa é de 13,3 mil óbitos adicionais relacionados ao calor entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, quando comparado ao cenário de um ano com temperaturas normais. Desse total, cerca de oito mil mortes podem ocorrer durante o verão brasileiro, no período entre dezembro e fevereiro.
A equipe de especialistas, que inclui cientistas das universidades de Berkeley e Stanford, aponta que a maior parte do impacto global deve se concentrar no chamado Sul Global, com destaque para países da África, Ásia e América do Sul. Na Nigéria, a projeção é de 31,4 mil mortes adicionais, seguida pela Indonésia (19,3 mil), Sudão (17,5 mil) e Índia (15,8 mil).
Como o El Niño afeta as temperaturas?
O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, o que altera os padrões de temperatura e de chuva em diversas regiões do planeta. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou que o fenômeno está estabelecido e deve ganhar força nos próximos meses.
Segundo o Climate Impact Lab, a temperatura média sobre as áreas terrestres do planeta pode ficar cerca de 1,2 °C acima do normal nos próximos meses. Com isso, espera-se que haja 44% mais dias de calor extremo do que o registrado em um ano considerado normal.
Os pesquisadores utilizam previsões sazonais de temperatura do sistema SEAS5, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), para compor os cálculos. A análise considera diferenças climáticas, a vulnerabilidade das populações e a capacidade de adaptação de 24.378 regiões.
Quais medidas podem reduzir os riscos?
Embora a intensidade do fenômeno não determine sozinha a gravidade dos impactos em cada local, os cientistas indicam que a preparação pode mitigar os danos. Entre as recomendações estão a implementação de sistemas de alerta para ondas de calor e o acesso facilitado a locais climatizados e água.
A proteção de trabalhadores expostos ao sol e o fortalecimento dos serviços de saúde também são apontados como fatores essenciais para reduzir a mortalidade. Os pesquisadores alertam que, embora a projeção atual de mortalidade termine em fevereiro de 2027, as temperaturas elevadas podem persistir até meados do ano.
